Um dia Sally estava atrasada para as aulas e sem querer foi contra ele deixando cair os livros que suportava na mão. Randy ofereceu-se para os apanhar dizendo um simples "olá". Ela sorriu e Randy devolveu-lhe os livros. Continuou a correr até à sala enquanto ele a seguia com o olhar com um sorriso que o fazia estar distante de tudo. Os amigos tentavam falar-lhe mas ele não ligava, apenas olhava para aquela rapariga que conhecera perto daquela casa assustadora.
Ele ganhou um grande amigo. Chamava-se Anry. Era um rapaz baixinho com cabelos curtos e castanhos escuros e olhos da mesma tonalidade mas grandes. Era com quem ele falava todos os dias acerca de tudo. Era um amigo especial, alguém que nunca tinha tido na vida. Partilhavam de tudo. Gostavam das mesmas músicas, mesmos filmes, mesmos gostos, mesmos sonhos.. Anry sabia que Randy tinha gostado de Mandy apesar de não parecer. Algo estava errado nela mas mesmo assim ele não deixou de gostar dessa rapariga. Foi difícil ele ter espetado aquela faca no coração daquela rapariga que parecia tão doce mas que afinal nem humana era. Mas às vezes as escolhas mais difíceis são as mais acertadas. Ele sentia falta dela, muita mesmo. Sentia falta dos dias em que ele fingia estar de cabeça baixa mas estava com o olhar fixo para ela olhando para aqueles olhos esverdeados que com o sol se tornavam brilhantes.
Mas ele esqueceu. Agora Sally era a rapariga que estava na cabeça dele.
Sally sentia o mesmo por ele mas não contou a ninguém, deixou que Randy entendesse e que um dia ganhasse coragem para lhe pedir o número de telemóvel.
Acabou por acontecer e começaram a falar por mensagens a toda a hora, nunca se cansavam um do outro. Ele um dia ganhou coragem e mandou-lhe um simples: "amo-te". Ela sorriu e respondeu: "eu também".
Começaram a namorar. Mas havia algo que os impedia, não sei o quê. Cada vez que se encontravam na rua começava a chover, quando eles estavam de mão dada na escola apanhavam um choque. Parecia que alguma força os tentava separar.
Anry aconselhava-o sempre. Sem ele Randy não conseguia encantar Sally apesar de ela gostar dele na mesma. O que Randy não sabia é que o seu melhor amigo a amava tanto como ele. Cada fez que Randy lhe pedia conselhos, uma grande melancolia percorria a cara dele deixando-o practicamente sem palavras. Ele sabia que Randy seria sempre o preferido, o herói, mas nunca o traíu como amigo.
Um dia, Anry estava no quarto dele deitado em cima da cama a olhar para uma foto de Sally enquanto lhe fazia festas. Entretanto, uma sombra aparece-lhe à frente. Ele abriu muito os olhos mas ficou quieto: não falou, não se mexeu. Manteu-se no seu lugar. Essa sombra era a Mandy.
- Mandy?! Não estavas morta?! - perguntou Anry estupefacto.
- Quem disse que não estou? Eu quero ajudar-te.
- Ajudar-me? Em quê?
- Ambos sabemos quem queremos e ambos sabemos quem está a fazer de obstáculo.
- Quem é que tu queres?
- A Sally vai pagar pelo que me está a fazer! - disse enquanto um mar de chamas a rodeava.
- É o Randy que queres? Mas como vais consegui-lo?
- É aí que tu entras. - apareceu sentada ao lado dele enquanto ele se afasta um pouco dela.
- Como assim?
- Tu queres a Sally, eu quero o Randy.. Basta que acabes com ele e assim ambos temos o que queremos sem mais obstáculos.
- Não! Não vou fazer isso ao meu melhor amigo! Se a Sally é feliz ao pé dele então eu também fico feliz.
De repente Mandy começa a esganar Anry enquanto ele tenta soltar-se com muita angústia. Um pequeno ciclone aparece diante dos seus olhos.
- Ou ele, ou a Sally!
- Não! Não eras capaz!
- Não? Tens a certeza?
De repente ela afasta-se dele e tem agarrado em cada braço Randy e Sally deixando-os a sufocar.
- Mandy, não!
Ambos estão prestes a morrer até que Mandy atira Sally para o chão deixando-a meia roxa enquanto sufocava cada vez mais Randy.
- Por favor Mandy, larga-o! - disse Sally
- É a ti que eu quero Randy, eu sei que também me queres!
O dia tornou-se cinzento, a janela abria-se e fechava-se compulsivamente, o ciclone tornava-se cada vez mais forte. Anry não sabia o que fazer..
- Basta que o mates Anry, e a Sally vais ter, está nas tuas mãos.
Anry em pânico ao ver o quarto a revirar-se sozinho lembra-se que os mortos não suportam espelhos. Toda a casa abanava, tudo estava a destruír-se. Foi até à casa de banho enquanto via tudo em chamas. Cada passo o fazia cada vez mais sonolento e cansado. Já de gatas, chegou à casa de banho, conseguindo alcançar o espelho e levou-o até ao quarto protegendo-se atrás dele. Mandy olha para o espelho e dá um grito, um grito. Um grito bem agudo e forte ouvia-se pela casa toda. Randy consegue soltar-se enquanto uma luz branca fica em volta de Mandy e fá-la desaparecer.
O incêndio apaga-se. A casa deixa de abanar e o ciclone desaparece apesar de a casa ter um ar destruído. O céu abre-se. Todos têm marcas no pescoço causados por Mandy.
- É a Sally que tu amas? - perguntou Randy
- Sim. - disse Anry cabisbaixo
- E não me dizias nada?
- Ela ama-te, ela fica feliz contigo.
Sally entra na conversa.
- Desculpa Anry, mas é do Randy que eu amo. Foste muito forte em não fazer o que a Mandy disse, obrigada.
- Eu só te quero ver feliz Sally. Desculpa Randy, eu não sei o que pensar agora, estou demasiado cansado e demasiado confuso, nada faz sentido.
Anry pega num pedaço de espelho que estava espalhado no chão.
- Amo-te Sally. Meu melhor amigo, nunca te esquecerei.
E espeta-o no coração caíndo redondo no chão.
- Anry, não! - disse enquanto uma lágrima caía no rosto.
Tentou reanimá-lo mas estava sem pulso. Randy ficou com remorsos, sentiu-se culpado. Sally começa também a chorar e abraça-se a Randy.
De repente vêem Anry vestido de branco diante dos olhos deles a sorrir durante uns segundos. Ambos se mantêm calados enquanto ele se dirige para a janela, ganha asas de anjo e voa da janela desaparecendo aos poucos.
Sentiram uma alegria apesar de tudo, estava tudo bem por agora. Nunca o esquecerão, nunca. O que ele fez ninguém faria.
Fim do segundo capítulo (;
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