Era uma vez uma rapariga chamada Mandy. Era uma adolescente de cabelos morenos e escadeados, alta e olhos esverdeados. Era muito popular na escola, tinha bastantes amigos. Era querida, simpática, afável, bem educada e bastante pacífica. Vestia roupas bastante simples e coloridas. Todos gostavam dela à excepção de Randy. Randy era um rapaz alto com cabelos curtos e negros com uma pequena franja com olhos também negros. Era exactamente o posto de Mandy: antipático, bastante anti-social, gostava de andar sozinho, não tinha amigos nem participava nas gargalhadas dos colegas de turma e vestia roupas bastante escuras e repetidas. Mandy já tentara bastantes vezes ser amiga dele mas havia algo nela que ele não gostava. Ninguém entendia pois era impossível alguém não gostar daquela rapariga tão .. diferente.
Mas está certo que ninguém sabia como era a Mandy fora do ambiente amigável e escolar. Todos os dias ela se despedia com um sorriso e ia-se embora, impedindo que alguém soubesse mais algo dela até à manhã do dia seguinte. Randy também não sabia nada dela mas nunca de lembrou de se questionar quem seria ela realmente, apenas pressentia algo errado nela. Toda aquela simpatia era estranha, por trás daqueles sorrisos e palavras alguma coisa estava escondida por trás disso tudo. Algo terrível pensara ele. Cada vez que ele a via, baixava a cabeça, algo por detrás dos lindos olhos dela o assustava. Ele parecia ser uma pessoa fria, bastante fria. Mas a culpa não era dele, ninguém o aceitava como ele era. Ninguém gostava de ouvir as músicas dele ou falar dos filmes que ele via. Pelas ruas da cidade, andava sempre de mãos nos bolsos de cabeça baixa, dando pontapés ás pedras que via no caminho ao som do leitor de música que levava sempre no bolso do casaco.
Num dia chuvoso, quase de noite, Randy de capuz na cabeça, passeava num local com estradas feitas de terra e algumas quintas e casas de campo. Era um local muito sossegado, eram raras as pessoas que passavam por aquele local a não ser os donos das quintas e das casas. No caminho haviam bastantes poças de lama mas Randy não se importava, seguia sempre em frente deixando as calças pretas que ele usava todas enlameadas.
Quando ele estava a passar por uma casa quase destruída com telhados fora do sítio e janelas que se abriam e fechavam repetidamente por causa das rajadas de vento, reparou que uma rapariga exactamente igual à Mandy estava de encontro a essa casa. Ele decidiu dirigir-se à casa para verificar se era mesmo ela. Mas depois pensou duas vezes e desistiu. Não imaginava aquela menina tão adorada por todos, cheia de cores e sorrisos a frequentar uma casa tão assustadora como aquela.
Enquanto se afastava da casa, algo nele lhe dizia para seguir aquela rapariga misteriosa. Decidiu parar de costas para a casa e voltou-se para ela sempre de mãos nos bolsos. Levantou a cabeça para a ver melhor e despertou-lhe muita curiosidade. Ele gostava muito de aventura. Apesar de estar sempre muito fechado no mundo dele, ele gostava de descobrir algo macabro e novo sempre. Finalmente correu até à casa olhando pelos lados verificando se alguém o seguia naquele momento. Aquela casa tinha um pequeno portão antes meio estragado e tinha algumas árvores desfolhadas dentro da herdade. Parecia uma casa abandonada. Enquanto ele se aproximava mais da casa, mais a trovoada tombava sobre ela e mais barulho fazia. Ele era corajoso, não tinha medo de nada. Quando chegou mesmo ao pé da porta principal, reparou que era uma casa que apesar de destruída, era bastante grande. Tinha três andares mas cada piso era mais estreito que o outro. O último andar parecia ser uma espécie de sótão. Pensou em rodar a maçaneta da porta para a abrir mas a poucos centímetros dela, fechou a mão colocando-a de novo dentro dos bolso. Olhou mais uma vez para cima e virou costas sentando-se nas escadas que estavam antes da casa. Ficou lá sentado durante uns tempos até que ouve um ruído de uma porta a abrir. Continuando sentado, vira as costas para ver se era a porta que se tinha aberto naquele momento. E era mesmo. Aquela porta abrira-se sozinha pois ninguém estava por perto. Com um salto ele dirige-se apressadamente a ela abrindo-a mais um bocado para conseguir passar diante dela.
Entrou. A casa estava cheia de teias de aranha, ratos, restos de tecto no chão e pó por todo o lado. Dos poucos móveis que tinha nenhum estava em condições, todos estavam meio destruídos cheios de baratas e outros insectos. Começou por ver melhor a casa dando pequenos passos para a frente enquanto rodava a cabeça lentamente para os lados. Começou por subir as escadas. Enquanto o fazia, ia ouvindo algumas vozes bastante assustadoras. Vozes leves e com bastante eco. Que pareciam existir e ao mesmo tempo que eram apenas fruto da imaginação dele. Passados uns segundos, um bocado de tecto cai para cima das escadas fazendo um grande estrondo. Randy ao olhar para trás não se apercebeu e trespassou com a perna um buraco que se encontrava nas escadas ficando lá preso. Durante alguns minutos que para ele pareciam longos, ele tentava soltar-se com grande aflição. Exprimentou agarrar-se muito bem ao corrimão e lá conseguiu sair daquele buraco. A perna estava em ferida. Tinha bastantes arranhões. Mas ele não se importou, continuou a subir as escadas a coxiar mas desta vez com mais cuidado aos buracos que se encontravam nelas.
Quando chegou ao terceiro e último piso, reparou que haviam algumas portas naquele corredor. Não pareciam assutadoras, eram portas banalíssimas feitas de madeira escura com maçanetas tom dourado. No final do corredor estava uma porta diferente das outras. Era preta, grande com algumas luzes saídas dela. Luzes dos relâmpagos que completavam aquela noite escura. Enquanto ele se aproximava da porta, as luzes que se encontravam no corredor piscavam a cada passo mais perto da porta. Os ruídos das janelas eram cada vez mais frequentes, a água da chuva cada vez mais forte e as vozes que ele estava a ouvir cada vez mais nítidas. Quando ele chegou à porta com um certo receio, rodou a maçaneta abrindo-a. Quando a abriu não via nada, o que via era a janela que inchava e os pequenos raios de luz que os relâmpagos faziam. Reparou que havia um candeeiro ao lado dele. Quando ele o acendeu deu um grito. Um grito bem alto com a sua voz grossa. Naquela sala havia sangue por todos os lados, corpos mortos espalhados pelo chão de olhos abertos com três facas espetadas no coração e marcas de esgano no pescoço. Virou-se para se ir embora mas Mandy estava por detrás dele. Estava diferente. Tinha os olhos vermelhos e assustadores, dentes afiados, unhas compridas e roupas muito negras. Ele não acreditara no que vira. Esfregou os olhos para verificar se era mesmo ela enquanto dizia consecutivamente "Não pode ser, não pode ser". Ela com um sorriso macabro acenou com a cabeça e começou em passos lentos de encontro a ele. Ele afastava-se ao mesmo ritmo até que tropeçou num dos muitos corpos mortos. Mal se levantou andou de costas apalpando o caminho que se encontrava por trás dele para evitar que tropeçasse outra vez. Até que ele reparou que estava no fundo da sala ao lado da janela. Entretanto ela fecha-se aumentando o perigo. Ele tentou abri-la mas não conseguiu. Mandy estava a segui-lo com uma faca na mão.
- Mandy, pára! - disse ele aflito
- Ninguém te mandou te pores no meu caminho.
- Mas e toda a tua simpatia? Foste tu que mataste estas pessoas que estão espalhadas pelo chão?
- Dentro de instantes saberás quem foi -disse ela com uma faca que retirara de um corpo morto meio arroxeado.
Ela com faca espetada na mão aproximava-se dele.
- Tu és doida! - disse Randy enquanto tentava abrir a janela.
- Não vale a pena, ela não vai abrir. Vais ver que te vou pôr num mundo .. diferente, confia em mim.
Enquanto Randy grita um longo "Não", Mandy aproxima a faca de Randy. Está cada vez mais perto e mais perto até que ao que parecia ser o último segundo de vida dele, com respiração ofegante, ele dá um pontapé à faca afastando-a para longe de Mandy. Ele corre até à faca e espeta-a no coração de Mandy. Ela entretanto grita também um "não" bem longo enquanto ela cai de joelhos no chão e se vai transformando em pó. Um pó que se transforma em líquido com um cheiro nauseabundo a ovos podres. Ela desaparecera.
O dia nasceu naquele momento. O sol começou a brilhar naquela casa, a trovoada e a chuva pararam. Tudo o que estava destruído voltou ao normal e todas as pessoas que estavam espalhadas pelo chão deixaram de estar rodeadas de sangue e levantaram-se meias tontas perguntando "onde estou? O que aconteceu?". E ele a tentar respirar acalma-se. Olha em volta daquela casa e levanta-se do chão. Desceu as escadas e não tinha nem um único sinal de estragado, estava tudo perfeito. Aquela herdade estava rodeada de árvores de fruto e flores coloridas, já não parecia assustadora. Mesmo assim ele afasta-se da casa a correr. Deixa cair o mp4 ao chão até que uma rapariga loira o apanha e grita: "Rapaz, deixaste cair isto". Ele ao ouvir aquela voz doce, pára de correr e vira-se indo de encontro à rapariga. Sorriem mutuamente e a rapariga devolve-lhe o mp4.
- Qual é o teu nome? - Pergunta ele
- Sally e o teu?
- Randy.
Ele apartir daquele momento deixou de ser um rapaz triste. Saíram de mão dada daquele local sem mais perguntas. Começou a ter mais amigos e a conjugar mais as cores nas roupas.
Passados uns dias descobrem o que se passou e ele assim torna-se um herói à vista de toda a gente.
Fim do primeiro capítulo (:
Sem comentários:
Enviar um comentário