terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Algo errado


Decidiram fazer um funeral a Anry, ele merecia . Convidou meia dúzia de amigos e familiares dele e reunio-os numa pequena capela perto da casa assombrada . Não tinha religião específica .
Anry era um rapaz alegre. Apesar de ele ser assim, a alegria não residiu naquela capela. Todos estavam em torno de um pequeno caixão preto com cara de respeito . Ninguém sorria . Randy e Sally estavam de braço dado cabisbaixos a observar aquele caixão intacto, negro, triste . Ambos sentiam remorsos com tudo o que se tinha passado pois não imaginavam que o amor por Sally fosse tão forte . Mas não havia nada a fazer, o que estava feito, estava feito . De vez em quando alguém deitava uma lágrima mas ninguém falava, ninguém gritava de sofrimento .. nada . Todos escondiam o sentimento por Anry, seja amizade, amor, carinho ou ternura .
De repente Randy e Sally sentiram mais alguém ali presente . Alguém diferente das pessoas de preto . De repente sentiram um toque nos seus ombros . Nem precisaram de olhar para trás, já sabiam que era Anry que estava ali a protege-los . Realmente era mesmo ele . Estava vestido de branco com um sorriso rasgado . Olhou para o caixão e soltou uma gargalhada . Dirigiu-se para a frente de Randy e disse:
 - Tu sabias que não era preciso .
Randy levantou os olhos e dirigiu-os ao seu olhar . Não disse nada . Olhou em volta mas parece que ninguém o via, apenas Sally . Olhou para ela e sorriu tal como ela lhe fez . Assim do nada uma pessoa também soltou uma gargalhada . As pessoas restantes limitaram-se a olhar para o caixão, nem repararam em quem estava a rir-se . Até que outra se riu com ela... e outra, e outra... Até que todos começaram a rir . Randy olhou para Anry e este soltou mais uma gargalhada . Sally olhou para ele também e decidiu entrar no jogo . Anry esboçou um último sorriso e desapareceu gradualmente .
Saíram todos da capela a rir-se e começaram a falar . Randy e Sally de mãos dadas saíram lentamente da capela sendo os últimos a sair . Esqueceram-se que dentro da capela estava presente um caixão .
 No dia seguinte, um senhor ocorrente do pequeno funeral e que tinha como trabalho limpar a capela, não viu nenhum caixão . A capela estava limpa e intacta . Ele nem chegou a entrar na capela, apenas abriu a porta, observou e voltou a trancá-la . Sorriu e olhou para o céu . Era um senhor se setenta anos, já com uma grande experiência de vida . Um homem simples que possuía um relógio de bolso em prata e um chapéu na cabeça .
 Passado uma semana tudo voltou ao normal . Randy foi à escola . Como sempre, levou o leitor de música no bolso e dirigiu-se para lá com uma cara normal sem esboçar nenhum sorriso . De mãos nos bolsos chegou à escola sem falar com ninguém . Era normal, não queria dizer que estava triste ou não, ele era mesmo assim . Dirigiu-se para a sala sozinho sem Anry , o seu adorado amigo . Entrou para a sala e sentou-se uma mesa sozinho . Era terça-feira e começou o dia com a aula de matemática . Sentado naquela mesa no fundo da sala isolado de todos, decidiu não estar atento à aula e começou a desenhar . Desenhou principalmente a Sally em conjunto com criaturas imaginárias inventadas por ele . Sabia desenhar . Mas.. ele hoje ainda não tinha visto Sally , será que lhe aconteceu alguma coisa ? Sem o professor ver, mandou-lhe uma mensagem a perguntar se estava tudo bem mas nada, ela não respondia .
 Mal acabou a aula ligou-lhe correndo para a entrada da escola . Alguns dos colegas perguntavam o que se passava com ele mas ele não ligou a ninguém que o rodeava . Decidiu ir até à casa dela . Bateu à porta e esperou que alguém lhe abrisse a porta . Sim, abriram, mas não foi Sally, foi a mãe dela .
 - Bom dia, podia dizer-me onde está a Sally ? - disse ele ofegante
A mãe colocou a mão à frente da boca tocando com as pontas dos dedos no nariz e abriu muito os olhos .
 - Ela não acorda ! Ela não acorda ! - disse a mãe aos berros que nem uma louca .
Randy entrou de rompante pela casa e dirigiu-se ao quarto dela . A mãe de Sally seguiu-o quase ao mesmo ritmo . Quando ele chegou ao quarto, antes de entrar, olhou para Sally estendida na cama . Entrou e ajoelhou-se ao lado dela abanando-a de vez em quando enquanto dizia o nome dela . Mas ela não acordava, o que se passava ? Ela não pode ter morrido também ! Ela não !
 - Chame um médico, depressa ! - Disse Randy olhando para a mãe dela que estava à entrada no quarto com as mãos agarradas à ombreira da porta .
 - Já chamei, ele nunca mais vem !
Ele estava bastante preocupado . Ela respirava . A mão dele estava agarrado ao pulso dela e reparou que ela ainda não tinha morrido . "Que estranho, porque aconteceu isto... logo à Sally?!" pensou ele . De repente entra da janela muita ventania . Era estranho pois estava sol e calor anteriormente . A ventania dirigia-se só para a Sally . Entretanto, ela abre os olhos . A ventania pára de se dirigir a ela . Abre os olhos mantendo-os abertos mas não fala .
 - Sally ? - Diz a mãe.
Mas ela não responde . Até que semi-cerra os olhos e olha de esguelha para Randy, a atitude não era dela .
 - Randy ! Que bom ver-te ! Amo-te tanto ! - disse ela com uma voz diferente .
 - Sally... que se passa ?
 - Nada ! Não se passa nada ! Vamos passear ?
E como se nada tivesse acontecido levanta-se dirigindo-se para o roupeiro para escolher roupa . Randy limitou-se a observá-la . Mas sorriu, estava contente por ela estar acordada .
 Foram passear sem ligar ao dia de aulas que ainda não tinha encerrado . Andaram de mão dada pelo parque até que se sentaram . Normalmente Sally é que fazia as conversas mas desta vez não: limitou-se a estar calada a sorrir a olhar para ele enquanto lhe fazia festas na cara . Ele achou-a estranha e diferente e já não se sentia tão bem ao lado dela .
 - Desculpa Sally, tenho umas coisas a fazer . Não te esqueças que eu te amo .
Despediu-se dela com um beijo mas quando ele se ia embora ela agarrou-o no braço com força impedindo-o de se afastar . Ele franziu o olho e olhou para ela dando a entender para ela o largar . Ela disfarçou e largou-o ajeitando a roupa .
 - Eu também te amo mas .. não me deixes sozinha .
 - Porquê ?
 - Gosto demasiado de ti para te ver longe .
Ele sorriu confuso mas disse:
 - Falamos mais logo, prometo que te ligo .
E foi-se embora . De caminho para casa pegou no leitor de música e esa acompanhou-o o caminho todo apesar de o pensamento dele estar ligado à mudança de Sally, ele estava desconfiado de algo .

Fim do terceiro capítulo (:

sábado, 6 de novembro de 2010

O regresso de Mandy

 Randy tornou-se popular. Todos queriam estar com ele. Sally afinal frequentava a mesma escola. Ele descobriu isso quando um dia estava a sair da sala e viu uma rapariga de livros na mão com um olhar brilhante que se cruzou com o dele. Ambos ficaram felizes por se encontrarem. Sally era uma rapariga simples. Usava calças de ganga, t-shirts normais, cabelo solto e castanho claro. Parecia ser uma rapariga feliz, sem preocupações.
 Um dia Sally estava atrasada para as aulas e sem querer foi contra ele deixando cair os livros que suportava na mão. Randy ofereceu-se para os apanhar dizendo um simples "olá". Ela sorriu e Randy devolveu-lhe os livros. Continuou a correr até à sala enquanto ele a seguia com o olhar com um sorriso que o fazia estar distante de tudo. Os amigos tentavam falar-lhe mas ele não ligava,  apenas olhava para aquela rapariga que conhecera perto daquela casa assustadora.
 Ele ganhou um grande amigo. Chamava-se Anry. Era um rapaz baixinho com cabelos curtos e castanhos escuros e olhos da mesma tonalidade mas grandes. Era com quem ele falava todos os dias acerca de tudo. Era um amigo especial, alguém que nunca tinha tido na vida. Partilhavam de tudo. Gostavam das mesmas músicas, mesmos filmes, mesmos gostos, mesmos sonhos.. Anry sabia que Randy tinha gostado de Mandy apesar de não parecer. Algo estava errado nela mas mesmo assim ele não deixou de gostar dessa rapariga. Foi difícil ele ter espetado aquela faca no coração daquela rapariga que parecia tão doce mas que afinal nem humana era. Mas às vezes as escolhas mais difíceis são as mais acertadas. Ele sentia falta dela, muita mesmo. Sentia falta dos dias em que ele fingia estar de cabeça baixa mas estava com o olhar fixo para ela olhando para aqueles olhos esverdeados que com o sol se tornavam brilhantes.
 Mas ele esqueceu. Agora Sally era a rapariga que estava na cabeça dele.
 Sally sentia o mesmo por ele mas não contou a ninguém, deixou que Randy entendesse e que um dia ganhasse coragem para lhe pedir o número de telemóvel.
 Acabou por acontecer e começaram a falar por mensagens a toda a hora, nunca se cansavam um do outro. Ele um dia ganhou coragem e mandou-lhe um simples: "amo-te". Ela sorriu e respondeu: "eu também".
 Começaram a namorar. Mas havia algo que os impedia, não sei o quê. Cada vez que se encontravam na rua começava a chover, quando eles estavam de mão dada na escola apanhavam um choque. Parecia que alguma força os tentava separar.
 Anry aconselhava-o sempre. Sem ele Randy não conseguia encantar Sally apesar de ela gostar dele na mesma. O que Randy não sabia é que o seu melhor amigo a amava tanto como ele. Cada fez que Randy lhe pedia conselhos, uma grande melancolia percorria a cara dele deixando-o practicamente sem palavras. Ele sabia que Randy seria sempre o preferido, o herói, mas nunca o traíu como amigo.
 Um dia, Anry estava no quarto dele deitado em cima da cama a olhar para uma foto de Sally enquanto lhe fazia festas. Entretanto, uma sombra aparece-lhe à frente. Ele abriu muito os olhos mas ficou quieto: não falou, não se mexeu. Manteu-se no seu lugar. Essa sombra era a Mandy.
 - Mandy?! Não estavas morta?! - perguntou Anry estupefacto.
 - Quem disse que não estou? Eu quero ajudar-te.
 - Ajudar-me? Em quê?
 - Ambos sabemos quem queremos e ambos sabemos quem está a fazer de obstáculo.
 - Quem é que tu queres?
 - A Sally vai pagar pelo que me está a fazer! - disse enquanto um mar de chamas a rodeava.
 - É o Randy que queres? Mas como vais consegui-lo?
 - É aí que tu entras. - apareceu sentada ao lado dele enquanto ele se afasta um pouco dela.
 - Como assim?
 - Tu queres a Sally, eu quero o Randy.. Basta que acabes com ele e assim ambos temos o que queremos sem mais obstáculos.
 - Não! Não vou fazer isso ao meu melhor amigo! Se a Sally é feliz ao pé dele então eu também fico feliz.
De repente Mandy começa a esganar Anry enquanto ele tenta soltar-se com muita angústia. Um pequeno ciclone aparece diante dos seus olhos.
 - Ou ele, ou a Sally!
 - Não! Não eras capaz!
 - Não? Tens a certeza?
De repente ela afasta-se dele e tem agarrado em cada braço Randy e Sally deixando-os a sufocar.
 - Mandy, não!
Ambos estão prestes a morrer até que Mandy atira Sally para o chão deixando-a meia roxa enquanto sufocava cada vez mais Randy.
 - Por favor Mandy, larga-o! - disse Sally
 - É a ti que eu quero Randy, eu sei que também me queres!
O dia tornou-se cinzento, a janela abria-se e fechava-se compulsivamente, o ciclone tornava-se cada vez mais forte. Anry não sabia o que fazer..
 - Basta que o mates Anry, e a Sally vais ter, está nas tuas mãos.
Anry em pânico ao ver o quarto a revirar-se sozinho lembra-se que os mortos não suportam espelhos. Toda a casa abanava, tudo estava a destruír-se. Foi até à casa de banho enquanto via tudo em chamas. Cada passo o fazia cada vez mais sonolento e cansado. Já de gatas, chegou à casa de banho, conseguindo alcançar o espelho e levou-o até ao quarto protegendo-se atrás dele. Mandy olha para o espelho e dá um grito, um grito. Um grito bem agudo e forte ouvia-se pela casa toda. Randy consegue soltar-se enquanto uma luz branca fica em volta de Mandy e fá-la desaparecer.
O incêndio apaga-se. A casa deixa de abanar e o ciclone desaparece apesar de a casa ter um ar destruído. O céu abre-se. Todos têm marcas no pescoço causados por Mandy.
 - É a Sally que tu amas? - perguntou Randy
 - Sim. - disse Anry cabisbaixo
 - E não me dizias nada?
 - Ela ama-te, ela fica feliz contigo.
 Sally entra na conversa.
 - Desculpa Anry, mas é do Randy que eu amo. Foste muito forte em não fazer o que a Mandy disse, obrigada.
 - Eu só te quero ver feliz Sally. Desculpa Randy, eu não sei o que pensar agora, estou demasiado cansado e demasiado confuso, nada faz sentido.
Anry pega num pedaço de espelho que estava espalhado no chão.
 - Amo-te Sally. Meu melhor amigo, nunca te esquecerei.
E espeta-o no coração caíndo redondo no chão.
 - Anry, não! - disse enquanto uma lágrima caía no rosto.
Tentou reanimá-lo mas estava sem pulso. Randy ficou com remorsos, sentiu-se culpado. Sally começa também a chorar e abraça-se a Randy.
De repente vêem Anry vestido de branco diante dos olhos deles a sorrir durante uns segundos. Ambos se mantêm calados enquanto ele se dirige para a janela, ganha asas de anjo e voa da janela desaparecendo aos poucos.
Sentiram uma alegria apesar de tudo, estava tudo bem por agora. Nunca o esquecerão, nunca. O que ele fez ninguém faria. 

Fim do segundo capítulo (;

sábado, 30 de outubro de 2010

Lado obscuro de Mandy


 Era uma vez uma rapariga chamada Mandy. Era uma adolescente de cabelos morenos e escadeados, alta e olhos esverdeados. Era muito popular na escola, tinha bastantes amigos. Era querida, simpática, afável, bem educada e bastante pacífica. Vestia roupas bastante simples e coloridas. Todos gostavam dela à excepção de Randy. Randy era um rapaz alto com cabelos curtos e negros com uma pequena franja com olhos também negros. Era exactamente o posto de Mandy: antipático, bastante anti-social, gostava de andar sozinho, não tinha amigos nem participava nas gargalhadas dos colegas de turma e vestia roupas bastante escuras e repetidas. Mandy já tentara bastantes vezes ser amiga dele mas havia algo nela que ele não gostava. Ninguém entendia pois era impossível alguém não gostar daquela rapariga tão .. diferente.
Mas está certo que ninguém sabia como era a Mandy fora do ambiente amigável e escolar. Todos os dias ela se despedia com um sorriso e ia-se embora, impedindo que alguém soubesse mais algo dela até à manhã do dia seguinte. Randy também não sabia nada dela mas nunca de lembrou de se questionar quem seria ela realmente, apenas pressentia algo errado nela. Toda aquela simpatia era estranha, por trás daqueles sorrisos e palavras alguma coisa estava escondida por trás disso tudo. Algo terrível pensara ele. Cada vez que ele a via, baixava a cabeça, algo por detrás dos lindos olhos dela o assustava. Ele parecia ser uma pessoa fria, bastante fria. Mas a culpa não era dele, ninguém o aceitava como ele era. Ninguém gostava de ouvir as músicas dele ou falar dos filmes que ele via. Pelas ruas da cidade, andava sempre de mãos nos bolsos de cabeça baixa, dando pontapés ás pedras que via no caminho ao som do leitor de música que levava sempre no bolso do casaco.
 Num dia chuvoso, quase de noite, Randy de capuz na cabeça, passeava num local com estradas feitas de terra e algumas quintas e casas de campo. Era um local muito sossegado, eram raras as pessoas que passavam por aquele local a não ser os donos das quintas e das casas. No caminho haviam bastantes poças de lama mas Randy não se importava, seguia sempre em frente deixando as calças pretas que ele usava todas enlameadas.
 Quando ele estava a passar por uma casa quase destruída com telhados fora do sítio e janelas que se abriam e fechavam repetidamente por causa das rajadas de vento, reparou que uma rapariga exactamente igual à Mandy estava de encontro a essa casa. Ele decidiu dirigir-se à casa para verificar se era mesmo ela. Mas depois pensou duas vezes e desistiu. Não imaginava aquela menina tão adorada por todos, cheia de cores e sorrisos a frequentar uma casa tão assustadora como aquela.
 Enquanto se afastava da casa, algo nele lhe dizia para seguir aquela rapariga misteriosa. Decidiu parar de costas para a casa e voltou-se para ela sempre de mãos nos bolsos. Levantou a cabeça para a ver melhor e despertou-lhe muita curiosidade. Ele gostava muito de aventura. Apesar de estar sempre muito fechado no mundo dele, ele gostava de descobrir algo macabro e novo sempre. Finalmente correu até à casa olhando pelos lados verificando se alguém o seguia naquele momento. Aquela casa tinha um pequeno portão antes meio estragado e tinha algumas árvores desfolhadas dentro da herdade. Parecia uma casa abandonada. Enquanto ele se aproximava mais da casa, mais a trovoada tombava sobre ela e mais barulho fazia. Ele era corajoso, não tinha medo de nada. Quando chegou mesmo ao pé da porta principal, reparou que era uma casa que apesar de destruída, era bastante grande. Tinha três andares mas cada piso era mais estreito que o outro. O último andar parecia ser uma espécie de sótão. Pensou em rodar a maçaneta da porta para a abrir mas a poucos centímetros dela, fechou a mão colocando-a de novo dentro dos bolso. Olhou mais uma vez para cima e virou costas sentando-se nas escadas que estavam antes da casa. Ficou lá sentado durante uns tempos até que ouve um ruído de uma porta a abrir. Continuando sentado, vira as costas para ver se era a porta que se tinha aberto naquele momento. E era mesmo. Aquela porta abrira-se sozinha pois ninguém estava por perto. Com um salto ele dirige-se apressadamente a ela abrindo-a mais um bocado para conseguir passar diante dela. 
 Entrou. A casa estava cheia de teias de aranha, ratos, restos de tecto no chão e pó por todo o lado. Dos poucos móveis que tinha nenhum estava em condições, todos estavam meio destruídos cheios de baratas e outros insectos. Começou por ver melhor a casa dando pequenos passos para a frente enquanto rodava a cabeça lentamente para os lados. Começou por subir as escadas. Enquanto o fazia, ia ouvindo algumas vozes bastante assustadoras. Vozes leves e com bastante eco. Que pareciam existir e ao mesmo tempo que eram apenas fruto da imaginação dele. Passados uns segundos, um bocado de tecto cai para cima das escadas fazendo um grande estrondo. Randy ao olhar para trás não se apercebeu e trespassou com a perna um buraco que se encontrava nas escadas ficando lá preso. Durante alguns minutos que para ele pareciam longos, ele tentava soltar-se com grande aflição. Exprimentou agarrar-se muito bem ao corrimão e lá conseguiu sair daquele buraco. A perna estava em ferida. Tinha bastantes arranhões. Mas ele não se importou, continuou a subir as escadas a coxiar mas desta vez com mais cuidado aos buracos que se encontravam nelas.
 Quando chegou ao terceiro e último piso, reparou que haviam algumas portas naquele corredor. Não pareciam assutadoras, eram portas banalíssimas feitas de madeira escura com maçanetas tom dourado. No final do corredor estava uma porta diferente das outras. Era preta, grande com algumas luzes saídas dela. Luzes dos relâmpagos que completavam aquela noite escura. Enquanto ele se aproximava da porta, as luzes que se encontravam no corredor piscavam a cada passo mais perto da porta. Os ruídos das janelas eram cada vez mais frequentes, a água da chuva cada vez mais forte e as vozes que ele estava a ouvir cada vez mais nítidas. Quando ele chegou à porta com um certo receio, rodou a maçaneta abrindo-a. Quando a abriu não via nada, o que via era a janela que inchava e os pequenos raios de luz que os relâmpagos faziam. Reparou que havia um candeeiro ao lado dele. Quando ele o acendeu deu um grito. Um grito bem alto com a sua voz grossa. Naquela sala havia sangue por todos os lados, corpos mortos espalhados pelo chão de olhos abertos com três facas espetadas no coração e marcas de esgano no pescoço. Virou-se para se ir embora mas Mandy estava por detrás dele. Estava diferente. Tinha os olhos vermelhos e assustadores, dentes afiados, unhas compridas e roupas muito negras. Ele não acreditara no que vira. Esfregou os olhos para verificar se era mesmo ela enquanto dizia consecutivamente "Não pode ser, não pode ser". Ela com um sorriso macabro acenou com a cabeça e começou em passos lentos de encontro a ele. Ele afastava-se ao mesmo ritmo até que tropeçou num dos muitos corpos mortos. Mal se levantou andou de costas apalpando o caminho que se encontrava por trás dele para evitar que tropeçasse outra vez. Até que ele reparou que estava no fundo da sala ao lado da janela. Entretanto ela fecha-se aumentando o perigo. Ele tentou abri-la mas não conseguiu. Mandy estava a segui-lo com uma faca na mão.
 - Mandy, pára! - disse ele aflito
 - Ninguém te mandou te pores no meu caminho.
 - Mas e toda a tua simpatia? Foste tu que mataste estas pessoas que estão espalhadas pelo chão?
 - Dentro de instantes saberás quem foi -disse ela com uma faca que retirara de um corpo morto meio arroxeado.
 Ela com faca espetada na mão aproximava-se dele.
 - Tu és doida! - disse Randy enquanto tentava abrir a janela.
 - Não vale a pena, ela não vai abrir. Vais ver que te vou pôr num mundo .. diferente, confia em mim.
 Enquanto Randy grita um longo "Não", Mandy aproxima a faca de Randy. Está cada vez mais perto e mais perto até que ao que parecia ser o último segundo de vida dele, com respiração ofegante, ele dá um pontapé à faca afastando-a para longe de Mandy. Ele corre até à faca e espeta-a no coração de Mandy. Ela entretanto grita também um "não" bem longo enquanto ela cai de joelhos no chão e se vai transformando em pó. Um pó que se transforma em líquido com um cheiro nauseabundo a ovos podres. Ela desaparecera.
 O dia nasceu naquele momento. O sol começou a brilhar naquela casa, a trovoada e a chuva pararam. Tudo o que estava destruído voltou ao normal e todas as pessoas que estavam espalhadas pelo chão deixaram de estar rodeadas de sangue e levantaram-se meias tontas perguntando "onde estou? O que aconteceu?". E ele a tentar respirar acalma-se. Olha em volta daquela casa e levanta-se do chão. Desceu as escadas e não tinha nem um único sinal de estragado, estava tudo perfeito. Aquela herdade estava rodeada de árvores de fruto e flores coloridas, já não parecia assustadora. Mesmo assim ele afasta-se da casa a correr. Deixa cair o mp4 ao chão até que uma rapariga loira o apanha e grita: "Rapaz, deixaste cair isto". Ele ao ouvir aquela voz doce, pára de correr e vira-se indo de encontro à rapariga. Sorriem mutuamente e a rapariga devolve-lhe o mp4.
 - Qual é o teu nome? - Pergunta ele
 - Sally e o teu?
 - Randy.
 Ele apartir daquele momento deixou de ser um rapaz triste. Saíram de mão dada daquele local sem mais perguntas. Começou a ter mais amigos e a conjugar mais as cores nas roupas.
 Passados uns dias descobrem o que se passou e ele assim torna-se um herói à vista de toda a gente.

        Fim do primeiro capítulo (: