domingo, 29 de janeiro de 2012

Apesar de tudo, confiou ♥

Enquanto o levavam , ele observava Sally pela janela do carro com um ar estranho . Ele não tinha bem a noção do que fez e arrependeu-se um pouco , apesar de já não haver nada a fazer .. o mal já estava feito e como consequência aquele carro que o levava definiu provavelmente o resto da vida dele que lhe sucedia . Foi a viagem mais longa que ele teve e a que mais o custou , apesar de ter durado meia hora mais ou menos . Enquanto ele estava ali sentado , reparou que passou pelo tal parque onde , naquele tal dia , se encontrava com Sally observando as crianças inocentes que brincavam até que de repente tudo mudou com mais uma armadilha criada por Mandy . As lágrimas não paravam de escorrer pelo seu rosto ao recordar-se de todos os bons momentos que se tornavam em pesadelos por vinganças criadas por uma mera ilusão de alguém que não consegue perceber que o amor que sente não é correspondido . Por último , antes de chegar à esquadra , passou pela tal casa assombrada onde ele descobriu quem era realmente Mandy .. foi a pior desilusão de sempre .
 Andaram mais meio quilómetro e chegaram ao destino . Os polícias saíram do carro e tiraram Randy de lá com uma certa brutidade , visto que se tratava de um assassino . Bem .. ambos sabemos que não é bem isso , mas o que se passou provou isso . Ele era menor de idade , por isso o máximo que podiam fazer era pô-lo num reformatório . Pegaram nos braços dele que estavam juntos por algemas e levaram-no lá para dentro . Ele sentia-se tão assustado que entrou em choque , não dizendo nem uma única palavra . A sua respiração era ofegante , mas aos poucos parecia que ia deixando de existir , pois os nervos tiravam-lhe o ar . Disseram-lhe para se sentar numa cadeira desconfortável de uma sala escura e com um cheiro duvidoso , sem se preocuparem com o que ele achava . Sim , esta parecia ser a nova vida de Randy: uma vida de criminoso , sem escolhas . Na mente dele só se encontrava Sally e o seu último rosto observado .. nunca mais esqueceu que foi o causador daquelas lágrimas , apesar de ter a consciência que culpa de tudo foi de Mandy . Pensou em dizer a verdade , mas lembrou-se que depois em vez de ir para um reformatório ia directamente para um manicómio , pois ninguém ia acreditar em tanto "filme" junto . Manteu-se cabisbaixo e esperou durante duas horas e um quarto até que finalmente uma luz abre-se: era um polícia prestes a levá-lo para uma sala onde o ia questionar . Durante aquele momento , Randy limitou-se a responder que sim ou que não , dependendo do que perguntavam , sem dizer mais nenhuma palavra . Pensou na vergonha que ia passar à frente do pai ao saber deste sucedido , até que se lembrou que estava sozinho no mundo . Passado uma hora de perguntas , foi levado para uma prisão sem saber porquê , pois ele era menor . Era uma sala com paredes brancas e sujas , com grades numa das partes deste . Lá estava um homem sentado num beliche , na cama de baixo . Fecharam a cela e deixaram-nos sozinhos . Randy ficou de pé perto das grades , sem se aproximar do homem , com um certo receio .
 - Reservei a cama de cima para ti rapaz , dizem que é a melhor parte de um beliche - disse o homem sem esboçar um único sorriso , com uma voz rouca .
O homem tinha os seus trinta anos e nem tinha cara de criminoso: tinha estatura média , cabelo castanho escuro e grisalho , com barba por fazer mas com os dentes muito direitos e brancos , apesar do seu aspecto de fumador . Randy pensou em perguntar-lhe a razão de ele estar lá , tal como se "usa" quando se chega a uma cela , mas preferiu remeter-se ao silêncio acompanhando o som daquela noite fria .
 - Deixe estar , eu estou bem em pé ..
 - Tu é que sabes .
O homem deitou-se na cama de barriga para cima e colocou as mãos atrás da cabeça . Passado pouco tempo , Randy dirigiu-se para a parte de cima do beliche , deitando-se da mesma maneira do homem , mas fechou os olhos cobertos de lágrimas .
 - Eu sei a razão de estares aqui , foi esta a razão de eu não ter feito a tal pergunta do costume - disse o homem esboçando um pequeno sorriso - a culpa não foi tua , pois não rapaz ?
 - Como sabes ? A decisão deles foi contrária ao que disseste agora .
 - Conheço-te mais do que tu pensas .
Nada convencido , ironicamente respondeu:
 - Sim , claro , eu acredito mesmo nisso ..
O homem levantou-se e , de pé , colocou os braços cruzados em cima da cama de Randy:
 - Essa Mandy está a dar-te cabeça pelos vistos ..
Randy abriu os olhos repentinamente e dirigiu o olhar para o homem .
 - Digo e repito: conheço-te mais do que tu pensas - afastou-se do beliche e foi para perto das grades , colocando lá um dos ombros para se apoiar - Sou o Stever .
Ele levantou-se e estupefacto respondeu a Stever:
 - Depois de tanta aventura , esta é que eu não estava à espera .. Quem te contou ? Nada disto foi revelado !
 - Sabes qual é o teu problema rapaz ? - virou-se para Randy e continuou - é fazeres demasiadas perguntas ..
 - Eu apenas fiz duas , das quais uma foi retórica - disse Randy encolhendo as sobrancelhas .
Stever dirigiu-se para o beliche e novamente sentou-se , fazendo sinal para se sentar ao pé dele . Randy sentou-se . Manteu-se sereno e triste , tal como estava antes .
 - Desde de colabores comigo , eu conseguirei dar-te de volta a vida que tinhas .
 - Já não tenho nada a perder , por isso aceito .
 - Só por isso subiste um ponto à minha consideração rapaz , gostei !
Não reagiu , manteu-se sereno e cabisbaixo soando um mero "boa .." sem nenhuma alegria mostrada .
 - Antes de mais nada , temos que sair daqui para irmos para minha casa . Lá , no meu quintal , está uma maçã .
Randy dirige rapidamente o olhar a Stever e antes que ele falasse , respondeu-lhe:
 - Não rapaz , não é essa maçã que estás a pensar - Randy suspirou de alívio - é a maçã que vai inverter tudo de forma a ficar tudo normal . Mas há uma consequência..
 - Qual ?
 - A maçã vai levar-te até antes do momento em que tudo piorou .. ou seja , nessa altura supostamente Sally não te conhece , tu não falas a Mandy e ainda ninguém morreu . Apenas um momento da tua vida do passado vai mudar .. Apenas a pessoa que levares contigo te vai conhecer .
 - Que momento ? Ai vai ? Como assim ?
Stever franziu o olhar e respondeu:
 - Tu e as perguntas a mais não se largam nunca , pelos vistos .. Mas pronto , respondendo a uma pergunta: se levares Sally , ela irá conhecer-te no passado tal como te vê agora .
 - Pronto , desculpa , é o hábito ! Oh , ou seja , até no passado ela vai odiar-me ..
 - Pois , é um hábito que vai ter de acabar , ou temos chatices . Digamos que sim rapaz , mas vai ser uma nova etapa na tua vida: vais ter de reconquistar a sua confiança .
Stever soltou uma gargalhada . Após um bocado , um polícia aproxima-se da cela e atira uma caixa de comida lá para dentro: era de madrugada e nem se aperceberam que tinham passado o resto da noite a falar .
 - Não queres dormir rapaz ?
 - Não - disse pegando na caixa de comida - não tenho sono .
Randy abriu a caixa . Lá dentro estava um bocado de carne com puré de batata . Estende-a para Stever mas este recusa com a mão . Tem a reacção de a cheirar e tem o instinto que achava melhor não comer , por causa do cheiro a estragado .
Stever coloca a mão sobre o ombro de Randy .
 - Pois , bem me parecia que não ias comer isso .. Está descansado que daqui nada eu consigo arranjar-te comida decente . - pegou na caixa e atirou-a para fora da cela , juntando-a a uma grande pilha delas  
- Agora onde é que nós iamos ? Ah , já me lembro .. temos que pensar como haveremos de sair daqui .
- Pois - falou Randy de um modo seco , nada convencido que isso ia acontecer .
Stever aproximou-se da cela e gritou:
- Ó da casa ! Preciso de ti !
Randy admira-se da forma como Stever falou , mas como recomendado , não questionou nada de nada . Até que alguém se aproxima da cela .
 - Diz lá homem - disse a pessoa que estava atrás da cela .
 - Tira-me daqui , tenho uns assuntos a tratar ..
 - Então e o rapaz ? - questionou Stever sem se preocupar se este ia sair ou não .
Stever olha para trás e repara na expressão admirada de Randy . Dirige outra vez o olhar esverdeado para a pessoa e responde:
 - Não te preocupes , ele vem comigo .
A pessoa dá ordem a um polícia para abrir a cela e tanto Randy como Stever saiem desta . Stever estende a mão para o polícia até que este vai ao bolso do casaco e oferece-lhe um maço de tabaco com um isqueiro . Tira um cigarro e após o acender começa a fumá-lo . Randy repara que afinal tinha razão , ele era mesmo um fumador . Lembra-se que afinal a cara dele não lhe é estranha , que já a tinha visto nalgum lado , mas deixa estar .
 - Como eu sei que és um rapaz muito curioso e estás desejoso de perguntar , eu respondo-te já a isto: apenas não saímos logo da cela , pois tinhas que aprender a confiar em mim primeiro evitando algum incidente , tal como fugires daqui sem rumo e depois arriscares a tua vida toda a ser perseguido pela justiça , por algo que nem fizeste ao certo .
Rapidamente acabou o cigarro . Ao buscar outro , oferece um a Randy perguntando se ele fumava , mas confirmando a resposta esperada guardou o cigarro de novo . Este dá-lhe razão , mas não diz nem uma única palavra .
Dirigem-se até ao parque de estacionamento , onde se encontra o carro de Stever . Andaram alguns metros , passando por várias marcas de automóvel novas , até que Randy se depara que o carro mais velho , mais sujo e mais antiquado pertencia-lhe . "Tinha que ser .." , pensou Randy .
 - Eu não ligo a isso rapaz .. - respondeu-lhe tal como se tivesse ouvido o seu pensamento . Abriu a porta do carro , pegou no casaco que estava no banco do condutor , sentou-se e continuou - estás à espera que o carro se abra sozinho ou consegues entrar nele sem manual de instruções ?
Randy começou a habituar-se às piadas de Stever e ao longo do tempo , começou a achar piada . Sentou-se e colocou o cinto .
 - Rapaz , não te lembras de mim ? - perguntou Stever sem colocar as chaves na ignição sequer .
 - Não ..
 - Lembraste naquele dia em que foi o funeral da tua mãe e alguém foi fechar a capela ?
 - Ah .. sendo assim já estou a encaixar a história toda . Sim , já estou a ver quem és , este mundo é mesmo pequeno .
 - Olha que não é , por alguma razão eu estou aqui contigo . Adiante .. tens ideia de onde está Sally ? Para a levares para o passado temos que a ir buscar .. ou pensas que ela aparece lá de repente ?
 - Ela deve estar em casa dela , sei lá , não sou adivinha .
Stever colocou finalmente as chaves na ignição .
 - Não aprendeste nada - disse soltando uma gargalhada e começando a conduzir .
 - Porquê ?
 - Eu sei de tudo , não preciso de perguntar nada .
 - Então não perguntes , melhor remédio tens tu ! Dás mais descanso aos meus ouvidos e à tua voz - respondeu Randy esperando outra gargalhada esboçando um sorriso na cara .
Stever olha para ele com cara de "não , não tiveste piada nenhuma , não me vou rir" . Randy volta à sua cara serena . Saiem dali e dirigem-se para um local onde , supostamente , estava Sally . Param o carro e Stever sai deste , apesar de dizer para Randy ficar onde está . Leva um pano e clorofórmio e antes de se afastar , Randy assustado pergunta-lhe:
 - O que é que vais fazer ?!
 - Fia quietinho e já vês .
Muito calmamente dirige-se para uns bancos , onde entre eles encontra Sally sentada a ouvir música e a ler um livro . Coloca o pano com o clorofórmio na cara dela e sem se aperceber ela adormece . Pega-a ao colo e coloca-a na parte de trás do carro , com uma toalha por cima do corpo para não se constipar . Fecha a porta da parte de trás e senta-se no seu lugar , começando a conduzir . Randy olha para ele de esguelha e antes de dizer algo Stever fala:
 - É nestes momentos que eu gostava que finalmente te apercebesses que deves confiar em mim .
Sem mais argumentação possível e contrariado , Randy cala-se .
Passados trinta e cinco minutos , Stever estaciona num terreno com uma casa: era a dele . Esta era linda: tinha um jardim com muito arvoredo , flores , etc .. A casa era enorme e muito bem pintada . Randy voluntaria-se para pegar na Sally ao colo e leva-a até casa . Com a expectativa de estar ser linda , bem decorada e enorme , espera que Stever se aproxime e abra a porta . Ao abri-la fica estupefacto .. A casa dele não era nada do que ele estava à espera . É uma sala grande , cheia de pó , com uma pequena mesa no meio e um candeeiro suspenso no tecto .
 - Por aqui - Disse Stever subindo as escadas rodeadas de sujidade .
 Chegaram a um quarto e Randy colocou Sally deitada numa cama , debaixo do tal pano .
 - Isto tudo para seres diferente e marcares a diferença ? .. - pergunta Randy
 - Ora viste que já sabes ? Ainda bem que já não é preciso responder-te a perguntas parvas  - dirigiu-se para um armário e retirou de lá uma caixa . Sentou-se em cima da cama , ao lado de Sally e , limpando o pó desta , abre-a tirando uma pequena chave dourada . Estende-a para Randy e indica - vai lá abaixo até à cozinha , abre a porta com esta chave e vê se encontras uma macieira . Quando encontrares , pega numa das maçãs e sem a comeres volta aqui com ela .
E assim ele fez . Desceu as dezoito escadas , dirigiu-se até à cozinha que mais parecia um sótão com um frigorífico , abre a porta e encontra de novo um lindo jardim , Percorre tudo até chegar à árvore mais longínqua de todas: a macieira . retira uma das maçãs vermelhas , limpa-a com a mão e volta ao quarto de Stever , entregando-lha .
 - Agora as instruções são estas - começou Stever - Sally tem que acordar . Quando isso acontecer , temos de a convencer a morder esta maçã após lhe teres dado uma trinca , no prazo de um minuto . Depois disso o máximo que me podes fazer é recordar-te de mim .. pode ser que no passado ne vejas por aí .
De repente , Sally começa a abrir os olhos . Assustada pergunta:
 - Onde estou ?! Porque é que estou ao lado do rapaz que matou o meu namorado ?! O que é que me querem fazer ?!
 - Calma rapariga , estamos aqui para remendar , preciso que confies em nós para o teu bem . Os teus pais chamaram-me e disseram que seria o melhor para ti - Randy olha para ele com um ar de "isso é completamente mentira" , mas nem lhe fala , pois sabia que se aquilo estava aacontecer , por alguma razão era .
 - Os meus pais ? Como assim ?
 - Sim rapariga .. indirectamente eles chamaram-me . Há aqui um equívoco: este rapaz aqui é que era o teu namorado , eu sou o homem que estava presente naquele dia em que estavam juntos e a mãe dele morrera e o rapazito que morreu não passa de um loiro falso com lentes de contacto azuis . Eu sei que é difícil acreditares em mim , mas olha bem para o rosto de Randy e vê bem se realmente não o conheces .
Ela observa-o , trocando ambos o mesmo olhar . Ela esboça um sorriso e acalma a raiva , sem ninguém saber como . Entretanto ela deixa de esboçar o sorriso e volta à mesma cara de zangada que tinha , como se nada fosse .
 - Agora isto é assim: Randy tem que morder esta maçã e tu , em menos de um minuto tens que morder no mesmo sítio que ele trincou , de forma a ambos voltarem ao passado e tudo se reconstruir .
 - É que nem penses , eu não mordo isso ! - Disse ela .
 - Não sejas teimosa , vá lá .. - implorou Randy
 - Não ! Eu mal sei onde é que isso andou ..
 - Está descansada que ela não é nenhuma maçã envenenada - respondeu Randy semi-cerrando os olhos - fazemos assim: se eu morder esta maçã e não me acontecer nada em dez segundos , prometes que mordes também . Assim voltamos ambos para o passado e fica tudo bem .
Depois de muito pensar , ela aceitou . Stever estende a maçã e Randy trinca-a . De repente , aparece uma contagem decrescente no ar , desde o minuto até ao zero . Passaram dez segundos entretanto e ela nem se dignou em pegar na maçã e fazer o mesmo .
 - Por favor Sally , se não trincares eu vou para o passado sem te conhecer eeu não quero isso !
 - É-me igual , tu fizeste mal ao amor da minha vida !
Estavam a vinte segundos do final da contagem .
 - Rapariga , faz a vontade ao rapaz , é o melhor para ti , acredita . - encorajou Stever .
Faltavam dez segundos . Randy estava em parafuso e Stever acabou por ficar também . Nos últimos cinco segundos , Sally ao ver o estado deles decide trincar a maçã no mesmo sítio . De repente , aparece um portal que os suga e os faz desaparecer daquele quarto , fazendo Stever estar sozinho . Este guarda a chave de novo na caixa e atira a maçã pela janela .
Eles voltaram ao passado , finalmente . Será que tudo vai ficar bem finalmente ?

Fim do 7º Capítulo (:

sábado, 10 de setembro de 2011

Aqui não há lugar para loiros de olhos azuis , só para o Randy ♥

 Randy constrangido com o sucedido afasta-se de mãos nos bolsos com uma pequena lágrima a escorrer-lhe pelo rosto . Enquanto se afasta pensa no que poderá ter acontecido . Será a Mandy outra vez ? Não se sabe . Talvez sim , talvez não . Vindo dela já nada é impossível mas Randy não se podia basear só nela pois nunca se sabia se algum dia ela se apoderava disso para fazê-lo cair nalguma armadilha . Mas ele não pôs essa ideia de lado . Agora ele tinha medo de andar na rua sozinho , até de ouvir uma simples rajada de vento.. já tudo podia ser motivo para alguma possível morte , algum desaparecimento ou algo fora do normal . Não mostrou medo no seu rosto e manteve-se na dele enquanto se dirigia para sua casa onde pelo menos ainda podia estar mais ou menos seguro . Enquanto se ia deslocando tirou de um dos bolsos o seu único e verdadeiro amigo fiel: o seu leitor de música . Agora já não podia confiar em ninguém , mesmo ninguém.. nem mesmo nos pais . A Mandy era poderosa e podia apoderar-se quando queria dos seus mais próximos manipulando-os sem eles se darem conta . Ele nunca tinha assistido a tanto em tão pouco tempo . Aliás .. ele nunca assistiu a nada disto , ele nem acreditava que isto um dia poderia acontecer . Ele lembra-se dos dias em que observava a Mandy a ser adorada por todos , no seu sorriso que parecia ser tão inocente mas que ele escondia a admiração que tinha por ela . Ele infelizmente tinha razão quando mostrava às pessoas que não gostava dela e nem sabia disso .. Randy pensou no quanto a vida lhe tinha sido injusta para ele . Aliás , foi tudo tão estranho: depois da tempestade veio a bonança , mas depois disso a tempestade voltou e assim sucessivamente . O bom de lhe ter acontecido tudo aquilo foi ter conhecido a Sally . Mas o mau é que ele colocou-a sem querer no perigo . Agora já não há nada a fazer , ela já se encontra nas mãos de Mandy e com sorte a sua vida não vai chegar ao fim .  Randy sentou-se nos bancos no parque infantil e observou as crianças colocando o seu leitor de música de lado . Lembrou-se naquele dia em que ele e Sally foram lá . Ele estava neste momento exactamente sentado no mesmo lugar da outra vez . Teve uma miragem e parecia que Sally estava ao lado dele . Mas ele olhou outra vez para o seu lado e ela não estava lá . Já era quase de noite e ele decidiu ir para casa , tudo aquilo tinha-lhe dado fome .
 Pegou outra vez no seu leitor de música , ajeitou o capuz do casaco que estava torto , procurou um carro olhando para o retrovisor esquerdo deste só para verificar que o seu cabelo estava no sítio até que um homem o empurra para o lado dizendo: "sai daí rapaz , tenho uma reunião importante e não tenho tempo para esperas" . Entretanto o homem pousa a mala do outro lado do banco , entra rapidamente dentro do carro e arranca dali a uma grande velocidade . Randy encolhe os braços e começa o caminho para casa . "Pensando melhor quero lá saber do meu cabelo ou do meu capuz , de qualquer forma a minha vida já está mal.." pensou ele . Demorou mais ou menos quinze minutos a chegar a casa enquanto o sol se ia pondo aos poucos . Até que ele pára e observa o pôr-do-sol . "Bem , pelo menos isto já não compete a Mandy mudar , isto pertence à natureza" disse ele em tom normal pois ninguém estava ali . Quando chegou a casa tirou a chave do bolso , procurou a chave certa entre as sete chaves existentes no porta-chave e pôe a cahve na fechadura . Bem.. pelo menos tentou . A fechadura não era a certa . tentou experimentar todas as chaves mas nenhuma deu para abrir a porta . Até que ele bate à porta perguntando-se para ele mesmo "porque raio é que a fechadura tinha mudado" . Até que o seu pai abre a porta devagar ficando com olhar indiferente a Randy . Este não ligou e disse: "Ah pai então fechadura nova hân ? Já me ias deixando dormir debaixo da ponte hoje !" e tentou entrar em casa mas o pai não permitiu a passagem . Randy deu dois passos para trás e perguntou bastante espantado: "Então ?" . O pai responde: "desculpe ? "pai" ? Mas o menino pensa que está a falar para quem ?" . Randy semi-cerrou os olhos , olhou de esguelha para o lado durante mais ou menos um segundo e voltou para o pai "Penso que estou a falar para o meu pai , obviamente .. Mas estás a brincar comigo ?" . O pai disse: "Bem , não sei qual é o seu objectivo mas .. tenha uma boa noite , eu estou prestes a servir o jantar ." E fechou-lhe a porta . Randy ficou com os olhos muito abertos dirigidos para a porta e pensou no que se estava a passar ali . Até que ouve uma mota a aproximar-se . Esconde-se por detrás de uma árvore ali perto e repara que quem está na mota é o tal rapaz loiro de olhos azuis que lhe deu um murro insinuando que era o namorado de Sally . Este tira o capacete colocando-o à volta do braço direito , tira a chave da ignição e desloca-se para casa usando a sua chave que abriu a porta . Randy sem dar nas vistas aproxima-se da porta quando o loiro entrou na casa . Olha para a janela que está na sala de jantar e repara que o loiro se senta no lugar dele e começa a comer . Randy esfomeado afasta-se . Reparou que agora era um sem abrigo , órfão e solteiro .
 Cheio de frio , cruzou os braços e começou a correr para longe dali . Não sabia ao certo para onde ia mas procurou por um sítio abrigado para poder passar a noite com algum conforto (dentro dos possíveis , obviamente) . Até que ele encontra um outro parque a uma hora dali depois de tanto andar que tinha uma espécie de casinha . Subiu umas escadas e ficou lá . A tal casinha tinha uma laranjeira de lado e ele sem pensar duas vezes arrancou uma começando a descascá-la .. a fome já era bastante e já não havia paciência para pensar em perigos . Atirou as cascas para o lado , aninhou-se e adormeceu ali num sono profundo .
 Por volta das sete da manhã ele acorda . Olha em roda e repara que tudo se mantém como estava naquela noite mas , claro com mais claridade devido ao sol existente naquele momento . Levantou-se , espreguiçou-se e pensou no que poderia fazer naquele dia . Desceu as escadas da tal casinha onde se encontrava e tentou ligar o leitor de música mas este não ligava , estava sem bateria . Enervado atira-o para um lago ali perto .. nem música já podia ouvir . Afasta-se mas depois arrepende-se voltando para trás e retira o leitor do lado limpando-o com a t-shirt dizendo "mesmo que não funciones ainda te manténs comigo , sempre.." . Afasta-se com ele na mão e começa a passear por aí . Até que ele vê Sally com o loiro de mão dada a rir-se e a dar-lhe beijinhos de vez em quando . Ele mantém a calma mas fica com vontade de esganar alguém , mais especificamente alguém loiro e com olhos azuis . Continua o seu caminho e ultrapassa-os até que o loiro ao vê-lo começa a rir-se e a chamá-lo de "vagabundo idiota" . Randy mantém-se na dele e nem liga apesar de por dentro ter uma grande vontade de o atirar para um precipício . O que o fez sorrir foi o facto de Sally ter dito: "não maltrates o rapaz , deixa-o em paz.." . Foi a alegria do dia . Ele virou-se para trás e sorriu para ela agradecendo de uma certa forma o seu gesto .. mal ela sabia quem era ele verdadeiramente . Ela retribuiu-lhe o sorriso . Ele afastou-a dele e mudou de rua . Rando parou e observo-a a afastar-se com o braço dele por cima das costas . Baixou a cabeça e continuou o seu caminho numa direcção diferente da dela . Ele já estava mesmo farto daquele loiro .. tirou-lhe tudo ! Tirou-lhe a casa , os pais , a comida , a namorada , estilo , a higiene , a felicidade .. tudo . Randy já estava tão farto de tudo que já nem queria saber da sua reputação na cidade . O seu pensamento já não estava limpo , tinha apenas ideias assassinas e coisas estranhas . Ele tinha mudado , a vida mudou-o . Aliás , a vida não o mudou .. ele é que mudou o rumo certo dela tornando-a menos linear . Desistiu dos seus princípios , dos seus verdadeiros sentimentos .. desistiu disso tudo enlouquecendo por completo .. pensou em matar o loiraço .
 Quando a noite caíu ele decidiu percorrer as ruas à procura de alguém armado sem ter medo de morrer ou de matar alguém .. a morte para ele já era algo tão normal que a política dele agora era: "menos um , quem é o próximo ?" . De capuz na cabeça foi para umas ruas onde se encontravam algums bêbedos . Ele conseguiu dar um murro a um deles e roubar-lhe o canivete correndo dali . Pô-lo no bolso e foi ter ao tal parque onde se encontrava a tal casinha . Dormiu apenas algumas horas e começou o seu plano de vingança . Quando o sol nasceu foi até "sua casa" e esperou pelo loiro . Quando este saíu Randy segui-o pois em vez de se deslocar de mota foi a pé então era mais fácil . Quando eles estavam num sítio despovoado , Randy tira o canivete do bolso , agarra no loiro pelo pescoço e arrasta-o até um sítio ainda mais escondido sem dizer uma única palavra . "Destruiste a minha vida , agora é hora de destruir a tua !" . Até que Sally vai a passar por aquele local não se sabe porquê . Ela ia distraída a mandar mensagens no telemóvel até que ouve um grito de sofrimento .. Randy espetou-lhe o canivete no coração e deixou-o ali . Sally corre até ao local e começa a chorar . Randy olha para ela assustado e o seu coração começa a palpitar . Ela com medo dele começa a afastar-se aos poucos . "Não Sally eu não te faço mal , ele é que te estava a fazer mal" . Ela em pânico corre para longe dali lavada em lágrimas . Ele deita cair uma lágrima.. não era assim que ele planeara . Ele sentiu-se tão arrependido , tão estranho , tão perdido . Matou pela primeira vez uma pessoa tudo por raiva . Ele ofegante atira o loiro pelo precipício e observa-o a cair até espetar-se numa rocha , era o fim . Correu dali à procura de Sally mas esta já estava a chamar a polícia . Entretanto ele ouve algumas sirenes .. a queixa já tinha sido feita e ele estava prestes a ir preso . Cheio de medo começa a chorar ali e deixa que os policias o apanhem levando-o para a esquadra . Era o início de uma nova vida , de algo ainda mais diferente . Será que ele vai ficar ali para sempre .. ou não ?


Fim do 6ºcapítulo (:

sábado, 25 de junho de 2011

Maçã envenenada

 Menos uma alma presente entre nós, mais lágrimas derramadas e mais medo sentido . Receio de perderem mais algum ente querido, pois já muitos estes partiram até agora . Randy pensara que a causadora de todas aquelas mortes era Mandy . Talvez fosse, talvez não . Não há palavras para descrever o sofrimento provocado por Mandy, com uma mera razão sem sentido . Randy não era o único a pensar isso, Sally era também da mesma opinião . Eles eram fortes, mas por muito que no exterior se mostrassem bem, no interior sentiam medo do desconhecido, pois nunca sabiam o que ia acontecer de seguida . Eram demasiadas emoções para serem sentidas num momento tão curto .
 Randy e Sally saíram de casa de mãos dadas cabisbaixos com algumas lágrimas a escorrerem pelos seus rostos . Chegaram à porta da igreja e pararam . Durante uns segundos observaram aquele caixão que estava colocado perto do altar . A igreja estava quase vazia, apenas se encontrava o Sacerdote que, de mãos elevadas no ar dirigidas para o caixão, estava a rezar pela alma da mãe de Randy . Quando os observou diante da igreja, reparou nos seus olhos cobertos de lágrimas e, lentamente, baixou e levantou a cabeça ao mesmo tempo e ao mesmo ritmo em sinal de respeito, dando a entender que lamentava todos aqueles acontecimentos . Eles esboçaram um pequeno sorriso e entraram na igreja, sentando-se na última fila . Entretanto, atrás deles, aparece o pai de Sally juntamente com os pais de Randy que os cumprimentam sentando-se a seu lado. A mãe de Sally pega na mão de Randy para consola-la . Entretanto, mais algumas pessoas entram no local e sentam-se . Algumas dirigem-se ao caixão deixando flores, outras limitam-se a observa-lo limpando as lágrimas com um lenço .
 Quando a missa termina, todos se dirigem até ao cemitério menos Randy e Sally . Acharam que não era necessário deslocarem-se até à chamada "última morada" pois estava sempre presente nos seus corações . Limitaram-se a sentar-se nas escadas da porta da igreja, voltados para a rua pensando no que mais poderia acontecer . Sally observa a Randy deitando algumas lágrimas e decide abraça-lo segredando-lhe ao ouvido que nunca o ia deixar e que estaria sempre presente para ele . Ele esboça um pequeno sorriso e, num tom baixinho, diz "amo-te" . Ele levanta-se e estende a mão para Sally a segurar para começarem a caminhar até onde os destino os levasse .
 Estava um lindo dia de sol . Era dia de equinócio primaveril e, depois de muitos dias de chuva intensa, finalmente o céu abriu-se . Já se soava o cantarolar das andorinhas que por ali voavam e as árvores estavam cobertas de flor . Decidiram sentar-se num banco perto do parque infantil . Observaram a alegria das crianças que andavam de baloiço, na inocência daquele baloiçar . Sorriram . Lembraram-se dos tempos em que eles eram crianças .. sem preocupações, com actos cometidos sem pensar nos eventuais perigos.. Mas no final de contas eles ainda eram crianças, não era justo estarem a passar o que estavam . Apesar de estarem a poucos anos da maioridade, continuavam crianças . Estes eram obrigados a enfrentar os problemas como verdadeiros adultos . Enquanto observavam uma menina com um metro e trinta de altura, trancinhas, franjinha, cabelo castanho, olhos azuis e um vestidinho vermelho correu até eles com uma margarida vermelha na mão assim do nada . Eles olharam para ela e a menina estendeu a flor para Sally . Depois envergonhada colocou as duas mãos nas costas e começou a girar para a esquerda e para a direita sem sair do sítio . Sally sorriu e deu uma festinha na cara da miúda , Depois esta voltou a correr para o pé dos amigos . Randy pegou na margarida e sorriu também . Olhou para Sally que estava concentrada na diversão dos meninos . Decidiu pôr o braço por cima dela e apertou-a contra ele ligeiramente . Eles não entenderam a atitude da menina mas não ligaram.. era apenas uma criança . Aquele gesto fê-los esquecer-se dos problemas por uns momentos . Os pais estavam lá perto a ver os seus filhos a brincarem . Até que estes diziam para ir embora . Uns faziam birra, outros obedeciam.. até dava para rir um bocadinho . Um dia eles infelizmente tinham de abrir os olhos ao mundo real, mas por agora estavam a leste do que se passava . "Coitadinhos" disse Randy para Sally em voz baixa "um dia vão ser adultos e este mundo não os consegue receber com a sua inocência, são obrigados a mudar pela maldade que reina . E um dia, tornar-se-ão um deles sem se aperceberem . Mais tarde quando souberem o erro que estão a cometer já está tudo estragado, não não há nada a fazer"  . 
 Passado uns tempos levantaram-se e sempre de mão dada, foram para casa de Randy . Decidiram reconfortar o pai de Randy que eles supunham estar de rastos . Passaram pelo campo das flores, um campo onde obviamente se encontravam vários tipos de flores como o próprio nome indica . Estavam alguns pais com alguns filhos a rebolar pela relva ou a atirar uma bola aos cães que lhes pertenciam . Randy soltou uma pequena lágrima . Foi tão pequena que Sally nem reparou nela, continuando com o mesmo sorriso de sempre . Depressa Randy limpou a e observou Sally que estava cabisbaixa apesar de manter o sorriso . Ela sentiu o seu olhar e também olhou para ele . Sorriram mutuamente e depois desviaram o olhar para continuar a olhar para as pessoas que se localizavam naquele campo .
 Chegaram a casa finalmente e ficaram à porta da sala . De lá repararam o pai de Randy que estava no cadeirão que estava de costas para a entrada e de frente para a lareira que naquele momento estava desligada . Randy"então filho como andas ?" .
 - Lamento o que aconteceu com a mãe, quero que fiques bem - disse Randy
 - Mas eu estou bem - limpou uma lágrima e continuou - mão te preocupes comigo, isto é passageiro, amanhã já devo estar bom .
 - Eu sei o quanto és forte - e mais uma vez pousou a mão no ombro do pai mas desta vez estendeu-se para a frente - tens que superar a perda da mãe, eu sei que não estás bem .
O pai bateu ligeiramente duas vezes com a mão na mão do filho e disse que estava bem .
 - Onde está a família de Sally ? Não estavas com eles ?
 - Sim, mas pedi para que me deixassem sozinho - e pegou na moldura com a fotografia dele e a sua mulher dando uma pequena festa na cara dela .
 Entretanto a campainha toca . Sally vai abrir e ao fazê-lo vê a sua mãe . Dá-lhe um beijo e repara que ela traz consigo um álbum de fotografias . Deviam ser as fotografias que têm andado a tirar desde sempre, pois as duas famílias sempre fora  muito unidas . A perda da mãe de Randy era muito significante para a família de Sally também . O pai de Randy olha para trás continuando sentado no cadeirão e quando vê a mãe de Sally, por educação, levanta-se e vai cumprimentá-la .
 - Como estás ? - pergunta-lhe a mãe de Sally
 - Não vou dizer que estou bem, pois assim estaria a mentir .. Pode-se dizer que vou andando . O que te traz esta visita ?
Ela estende o álbum de fotos e ele pega nele .
 - Bem, o que aqui trazes..
 - .. é o álbum de fotos . Uma relíquia hân ? - completou ela .
Ele levou o álbum consigo e sentou-se no cadeirão . Todos o seguiram e aleatoriamente sentaram-se nos sofás ao lado de forma a verem o álbum com ele . Ele foi revirando as páginas e explicando a Randy e e Sally os momentos que as famílias tiveram juntas antes de eles nascerem . Até que começam as fotografias de eles pequenos . Até que Sally começa a reparar que a menina das fotos estava no parque . Era a tal que lhe tinha dado a margarida vermelha, com o mesmo vestido e tudo .
 - Mãe, quem é esta ? - pergunta Sally
 - Esta és tu, quando eras mais nova . Adoravas vermelho . O que te fascinava mais eram as margaridas vermelhas .
 - É impossível ! Esta menina estava no parque hoje de tarde ! - disse Sally levantando-se do seu lugar
Ficaram todos muito atónitos a olhar para ela, incluindo Randy . Nem este entendia porque ela estava assim, estava estranha . Até que se recordou do momento em que a menina das trancinhas entregou a Sally e também se levantou de repente . Levou a Sally pela mão até ao quarto dele e sentaram-se os dois na mesma cama .
 - Aquela menina.. - começou Randy
 - Pois, exacto.. aquela menina ! Que era exactamente igual a mim !
 - Bem, isto é estranho..
Ela olhou para ele com cara de "depois de tanta coisa que nos aconteceu de forma estranha ainda te admiras ?!" . Ele concordou assentindo com a cabeça .
 - Não podemos ficar aqui, temos de voltar lá - disse Sally
Levantaram-se, desceram as escadas apressadamente e disseram em tom apressado "já voltamos" enquanto se deslocavam para a saída . Em passo de corrida foram ter ao parque e a menina j+a não estava lá . Constrangidos voltaram para trás até que a viram a correr .
 - Menina, espera ! - disse Sally enquanto esta e Randy corriam atrás dela .
Ela não esperou . Continuou a correr com uma margarida na mão . Eles não desistiram e correram sempre com ela até que ela parou ao lado de uma macieira . Sentou-se e tirou no bolso um pequeno livrinho fingindo que não os via .
 - Olha, quem és ? - perguntou Sally
 A menina sorriu para ela e sem responder continuou a ler o livro que só se resumia em bonecos . Até que se levantou e apanhou uma maçã que ao estar madura tinha acabado de cair . Deu a maçã a Sally de forma a que esta a comesse . Ela nem desconfiou, era apenas uma maçã . Uma apetitosa e vermelha maçã .
 - Prometes responder-me se a comer ?
A menina assentiu com a cabeça com um grande sorriso .
 - Bem.. então cá vai .
E ela trincou a maçã . Ao fazê-lo engasga-se e desmaia, tal como na história da Branca de Neve e os Sete Anões .
 "Sally !" gritou Randy enquanto se pôs de cócoras e colocou a cabeça dela em cima dos joelhos . Olhou para a menina que assim de repente se transformou em Mandy .
 - Nunca confies no teu passado, nunca se sabe se um dia te envenenará . - disse ela antes de soltar uma gargalhada e desaparecer .
Ele nem sabia que ela ia voltar, mas pelos vistos aquela malvada voltou . Ele sabia que na história a Branca de Neve acordava com o beijo do seu verdadeiro príncipe . Ele beijou-a com a esperança de ela acordar mas não resultou . Ele, triste não sabia o que fazer . Pensou que se calhar não era o seu príncipe encantado .
 Até que assim do nada um rapaz alto, com cabelo loiro acastanhado e franja para o lado vai socorrê-la .
 - Afasta-te da minha namorada ! - disse ele enquanto o afastava .
Até que a beijou . Ela lentamente abriu os olhos despertando para a realidade . Randy sem perceber nada vai ao pé dele, dá-lhe um murro e diz:
 - A namorada é minha, deves estar a confundir ! Vai para casa e não voltes, a não ser que queiras que te parta a cara toda !
Aproxima-se de Sally e faz-lhe uma festinha na cara . Ela afasta-o e diz:
 - O que fizeste ao meu namorado ?! Eu conheço-te ?!
O rapaz retribui o murro a Randy e volta para Sally enquanto ela assustada abraça o rapaz indiferente ao seu suposto namorado Randy . Ele afasta-se e começa a chorar pelo sucedido, afinal o que Mandy tinha feito desta vez ?

Fim do quinto capítulo (:

sábado, 5 de março de 2011

Pesadelos sonhadores

 Randy não sabia o que se passava com ela . Parecia demasiado agarrada a ele, e não nada era comum Sally ser assim . Ele gostava dela por esta lhe dar o espaço comum que todos necessitamos . Mas agora estava diferente, parecia completamente obcecada por ele . Ele ficou meio atordoado com a notícia que a sua namorada mudou . Ele continuava a amá-la mas era diferente ..
Entrou em casa e enfiou-se no quarto trancando a porta deste e atirou-se literalmente para a cama de mãos atrás da cabeça com uma perna flectida e a outra meio estendida desligando o leitor de música colocando-o em cima da mesinha de cabeceira . Pôs-se a pensar nela .. E recordou-se do que Mandy era quando vivia . Exactamente o mesmo ! "Será que ela entrou dentro do corpo de Sally ?" pensou ele . Se não fosse faria figura de parvo ao discutir com Sally se ela era mesmo ela ou não . Decidiu então ficar no seu lugar, sem mudar o seu estado de espírito . Pegou no telemóvel e pensou em ligar-lhe como lhe tinha prometido, mas largou-o de imediato desligando-o impulsivamente evitando que Sally lhe ligasse . "Mas ela apenas mostrou o amor que tem por mim ! Porque é que eu estou tão preocupado ? Ela deixou de ser tão tímida . É bom, acho eu .... Mas vou deixar-me de ideias, é a Sally e ponto final. Ela ama-me e eu amo-a a ela !" . Pensou mais uma vez enquanto se levantou da cama para ir espreitar da janela . Muito calmo, dirigiu-se a esta e cruzou os braços sob o parapeito com a cabeça em cima deles . Começou a ver uma rapariga um bocado longe dali a dirigir-se para a casa dele . Ele nem quis acreditar .. ERA SALLY . Ele entrou em pânico e decidiu rapidamente fechar os estores da janela e deitar-se na cama. Ele próprio não entendia a sua reacção, parecia que não era da Sally que se tratava mas sim da Mandy.
 Com tudo o que Randy vira no passado, já não se admirava que era realmente ela que tinha entrado no corpo de Sally . Decidiu enfrentar . Saíu do quarto disparado e saiu de casa sem hesitar indo de encontro a ela . Ela correu até ele e abraçou-o de tal forma que quase que o sufocava . Ele sorriu para ela sem sequer saber quem é que estava na sua frente com receio que algo fosse acontecer . Sally pegou-lhe na mão e passearam pelo sentido contrário da casa de Randy . Este olhou para trás e observou a sua mãe a olhá-lo pela janela, preocupada . Ele sorriu e deu a entender que estava tudo bem . Ela sorriu fingindo que também achava que estava tudo bem mas uma lágrima escorreu-lhe o rosto enquanto ela sobrepunha a palma da mão na janela como se o fosse perder . Limitou-se a vê-los afastar-se e quando os perdeu de vista sentou-se no sofá receando que algo ia acontecer .
 Randy estava muito preocupado com a sua mãe, sabendo perfeitamente que ela estava a sentir-se mal . Em pensamento pediu-lhe desculpa, mas era um caso de vida ou de morte . Foram até ao jardim mais próximo dali e sentaram-se . Ela não desviava o olhar dos seus olhos negros e nunca parava de sorrir .
 - Olha... estou preocupado contigo - iniciou Randy enquanto desviava o seu olhar daqueles grandes olhos que quase que o sugavam de estarem tão fixos e abertos .
 - Porquê ? - questionou ela semicerrando os olhos parecendo zangada .
Ele com medo esboçou um simples sorriso mas continuou .
 - Tu não és a mesma Sally de sempre . Nunca foste assim tão... apegada a mim... entendes ? Parece que pensas que me vais perder . Eu gostava que me desses mais espaço, tu quase que me sufocas .
Ele sentiu um arrepio e pensou que a sua vida ia chegar ao fim . Fechou os olhos e continuou .
 - Desculpa estar a ser franco contigo, apenas quero dizer-te a verdade .
Ela mostrou-se bastante ofendida e tomou uma atitude muito agressiva, começando a gritar com ele .
 - O quê ?! Eu amo-te mais que tudo, quero-te só para mim e tu dizes-me isso ?! Tens razão, eu estou diferente ! A tua querida Sally desapareceu . É comigo que deves estar, ela não te merece !
Ele sentiu um nó na garganta e afastou-se lentamente dela recuando alguns passos . Uma grande trovoada apareceu . Os céus fecharam e as nuvens tornaram-se negras . Começou a chover torrencialmente . Ela aproximou-se dele lentamente enquanto dizia que ele ia pagar pelo que lhe estava a fazer . Ele começou a correr mas um raio atingido-o deixando-o estendido no chão, sem se mexer . Por uns momentos ele sentiu-se fraco, sem defesa . Fechou os olhos, era o sue fim . Até que alguém apareceu do nada . Uma rapariga que lhe era completamente estranha, toda vestida de branco, tentou combater a Mandy, impelindo-a a sair do corpo de Sally . A rapariga colocou a mão sobre o peito de Randy gerando uma espécie de luz que começou a iluminá-lo por completo . Durante uns segundos o seu corpo parecia luz . Ela retirou a mão dela e ele lentamente foi abrindo os olhos . Ela estava de joelhos a seu lado até que se levantou e foi de encontro ao corpo de Sally que também estava estendido no chão procedendo da mesma forma que tinha feito a Randy . Tanto Sally como Randy levantaram-se devagar entreolhando-se . Ele deixou de ter receio e correu para os braços dela dizendo que tinha saudades dela . Ela sorriu-lhe . Finalmente ele estava ciente que não se tratava de Mandy mas sim da verdadeira Sally . A rapariga de branco sorriu para eles e afastou-se . Ele ia pedir-lhe que ficasse lá com eles mas algo o impediu . E ela foi afastando-se lentamente até que desapareceu .
 - Estás bem ? - pergunta Randy .
 - Sim, estou . Obrigada por perguntares . Nem sabes o que eu chorei nos dias anteriores ao ver-te sofrer com ela pensando que era eu .
Ele fez-lhe uma festa na cara com as costas da sua mão direita enquanto pegava na mão de Sally com a mão esquerda .
 - Eu sabia que não eras tu, eu conheço-te mais do que ninguém . E não te esqueças que eu sei quem amo . Sabes que eu amei Mandy mas foi tudo um erro . Tu és tudo para mim agora . Graças àquela rapariga de branco estamos salvos . Espero que finalmente tudo acalme, não quero ver-te sofrer . Apenas quero ver-te feliz, é o que me traz a felicidade acima de tudo .
 Digiriram-se até à casa de Randy de mãos dadas . Randy abriu a porta até que observou a sua mãe de olhos fechados em cima do sofá com a cabeça ligeiramente inclinada para a frente .
 - Mãe ? - disse ele dirigindo-se a ela enquanto Sally se encontrava à porta .
Sua mãe não falou, não reagiu . ELe pensara que estava a dormir mas não . Com toda aquela pressão morreu . Ele chorou a sua morte euquanto ele tentava reanimá-la . Olhou para Sally enquanto chorava . Sua querida mãe que o acolhera durante quase quinze anos morreu . O pai dele chegou a casa e ao ver a sua mulher morta, mantendo a calma colocou sua mão por cima do ombro de Randy . Este com os olhos molhados abraçou o pai com muita força culpabilizando-se de não ter ficado lá com ela em vez de ter ido com Mandy . O pai olhou nos seus olhos e limpou as lágrimas que caíam continuamente . Olharam os dois para a janela e viram-na a dirigir-se a ela sorrindo .
 - Eu estou bem, não se preocupem comigo . Sejam felizes, prometam .
Sally dirigiu-se a Randy e abraçou-o . Os três sorriram para a mãe acenando para ela enquanto limpavam as lágrimas . A mãe dele saíu pela janela e desapareceu . Eles sentiram imensas saudades dela mas decidiram tapar o seu corpo com uma toalha . Sentiram-se bem, sabiam que a sua alma estava em paz e que ela estava feliz . Sally nesse dia dormiu no quarto de hóspedes, não se sentia em condições para dirigir-se para sua casa . Enquanto dormia, Randy sem fazer barulho foi tapá-la e segredou-lhe ao ouvido que a amava dirigindo-se outra vez para o seu quarto . Ele dormiu profundamente, com sua mãe no pensamento num campo de flores cantando as lindas músicas de embalar que lhe cantava em pequeno .

Fim do quarto capítulo (:

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Algo errado


Decidiram fazer um funeral a Anry, ele merecia . Convidou meia dúzia de amigos e familiares dele e reunio-os numa pequena capela perto da casa assombrada . Não tinha religião específica .
Anry era um rapaz alegre. Apesar de ele ser assim, a alegria não residiu naquela capela. Todos estavam em torno de um pequeno caixão preto com cara de respeito . Ninguém sorria . Randy e Sally estavam de braço dado cabisbaixos a observar aquele caixão intacto, negro, triste . Ambos sentiam remorsos com tudo o que se tinha passado pois não imaginavam que o amor por Sally fosse tão forte . Mas não havia nada a fazer, o que estava feito, estava feito . De vez em quando alguém deitava uma lágrima mas ninguém falava, ninguém gritava de sofrimento .. nada . Todos escondiam o sentimento por Anry, seja amizade, amor, carinho ou ternura .
De repente Randy e Sally sentiram mais alguém ali presente . Alguém diferente das pessoas de preto . De repente sentiram um toque nos seus ombros . Nem precisaram de olhar para trás, já sabiam que era Anry que estava ali a protege-los . Realmente era mesmo ele . Estava vestido de branco com um sorriso rasgado . Olhou para o caixão e soltou uma gargalhada . Dirigiu-se para a frente de Randy e disse:
 - Tu sabias que não era preciso .
Randy levantou os olhos e dirigiu-os ao seu olhar . Não disse nada . Olhou em volta mas parece que ninguém o via, apenas Sally . Olhou para ela e sorriu tal como ela lhe fez . Assim do nada uma pessoa também soltou uma gargalhada . As pessoas restantes limitaram-se a olhar para o caixão, nem repararam em quem estava a rir-se . Até que outra se riu com ela... e outra, e outra... Até que todos começaram a rir . Randy olhou para Anry e este soltou mais uma gargalhada . Sally olhou para ele também e decidiu entrar no jogo . Anry esboçou um último sorriso e desapareceu gradualmente .
Saíram todos da capela a rir-se e começaram a falar . Randy e Sally de mãos dadas saíram lentamente da capela sendo os últimos a sair . Esqueceram-se que dentro da capela estava presente um caixão .
 No dia seguinte, um senhor ocorrente do pequeno funeral e que tinha como trabalho limpar a capela, não viu nenhum caixão . A capela estava limpa e intacta . Ele nem chegou a entrar na capela, apenas abriu a porta, observou e voltou a trancá-la . Sorriu e olhou para o céu . Era um senhor se setenta anos, já com uma grande experiência de vida . Um homem simples que possuía um relógio de bolso em prata e um chapéu na cabeça .
 Passado uma semana tudo voltou ao normal . Randy foi à escola . Como sempre, levou o leitor de música no bolso e dirigiu-se para lá com uma cara normal sem esboçar nenhum sorriso . De mãos nos bolsos chegou à escola sem falar com ninguém . Era normal, não queria dizer que estava triste ou não, ele era mesmo assim . Dirigiu-se para a sala sozinho sem Anry , o seu adorado amigo . Entrou para a sala e sentou-se uma mesa sozinho . Era terça-feira e começou o dia com a aula de matemática . Sentado naquela mesa no fundo da sala isolado de todos, decidiu não estar atento à aula e começou a desenhar . Desenhou principalmente a Sally em conjunto com criaturas imaginárias inventadas por ele . Sabia desenhar . Mas.. ele hoje ainda não tinha visto Sally , será que lhe aconteceu alguma coisa ? Sem o professor ver, mandou-lhe uma mensagem a perguntar se estava tudo bem mas nada, ela não respondia .
 Mal acabou a aula ligou-lhe correndo para a entrada da escola . Alguns dos colegas perguntavam o que se passava com ele mas ele não ligou a ninguém que o rodeava . Decidiu ir até à casa dela . Bateu à porta e esperou que alguém lhe abrisse a porta . Sim, abriram, mas não foi Sally, foi a mãe dela .
 - Bom dia, podia dizer-me onde está a Sally ? - disse ele ofegante
A mãe colocou a mão à frente da boca tocando com as pontas dos dedos no nariz e abriu muito os olhos .
 - Ela não acorda ! Ela não acorda ! - disse a mãe aos berros que nem uma louca .
Randy entrou de rompante pela casa e dirigiu-se ao quarto dela . A mãe de Sally seguiu-o quase ao mesmo ritmo . Quando ele chegou ao quarto, antes de entrar, olhou para Sally estendida na cama . Entrou e ajoelhou-se ao lado dela abanando-a de vez em quando enquanto dizia o nome dela . Mas ela não acordava, o que se passava ? Ela não pode ter morrido também ! Ela não !
 - Chame um médico, depressa ! - Disse Randy olhando para a mãe dela que estava à entrada no quarto com as mãos agarradas à ombreira da porta .
 - Já chamei, ele nunca mais vem !
Ele estava bastante preocupado . Ela respirava . A mão dele estava agarrado ao pulso dela e reparou que ela ainda não tinha morrido . "Que estranho, porque aconteceu isto... logo à Sally?!" pensou ele . De repente entra da janela muita ventania . Era estranho pois estava sol e calor anteriormente . A ventania dirigia-se só para a Sally . Entretanto, ela abre os olhos . A ventania pára de se dirigir a ela . Abre os olhos mantendo-os abertos mas não fala .
 - Sally ? - Diz a mãe.
Mas ela não responde . Até que semi-cerra os olhos e olha de esguelha para Randy, a atitude não era dela .
 - Randy ! Que bom ver-te ! Amo-te tanto ! - disse ela com uma voz diferente .
 - Sally... que se passa ?
 - Nada ! Não se passa nada ! Vamos passear ?
E como se nada tivesse acontecido levanta-se dirigindo-se para o roupeiro para escolher roupa . Randy limitou-se a observá-la . Mas sorriu, estava contente por ela estar acordada .
 Foram passear sem ligar ao dia de aulas que ainda não tinha encerrado . Andaram de mão dada pelo parque até que se sentaram . Normalmente Sally é que fazia as conversas mas desta vez não: limitou-se a estar calada a sorrir a olhar para ele enquanto lhe fazia festas na cara . Ele achou-a estranha e diferente e já não se sentia tão bem ao lado dela .
 - Desculpa Sally, tenho umas coisas a fazer . Não te esqueças que eu te amo .
Despediu-se dela com um beijo mas quando ele se ia embora ela agarrou-o no braço com força impedindo-o de se afastar . Ele franziu o olho e olhou para ela dando a entender para ela o largar . Ela disfarçou e largou-o ajeitando a roupa .
 - Eu também te amo mas .. não me deixes sozinha .
 - Porquê ?
 - Gosto demasiado de ti para te ver longe .
Ele sorriu confuso mas disse:
 - Falamos mais logo, prometo que te ligo .
E foi-se embora . De caminho para casa pegou no leitor de música e esa acompanhou-o o caminho todo apesar de o pensamento dele estar ligado à mudança de Sally, ele estava desconfiado de algo .

Fim do terceiro capítulo (:

sábado, 6 de novembro de 2010

O regresso de Mandy

 Randy tornou-se popular. Todos queriam estar com ele. Sally afinal frequentava a mesma escola. Ele descobriu isso quando um dia estava a sair da sala e viu uma rapariga de livros na mão com um olhar brilhante que se cruzou com o dele. Ambos ficaram felizes por se encontrarem. Sally era uma rapariga simples. Usava calças de ganga, t-shirts normais, cabelo solto e castanho claro. Parecia ser uma rapariga feliz, sem preocupações.
 Um dia Sally estava atrasada para as aulas e sem querer foi contra ele deixando cair os livros que suportava na mão. Randy ofereceu-se para os apanhar dizendo um simples "olá". Ela sorriu e Randy devolveu-lhe os livros. Continuou a correr até à sala enquanto ele a seguia com o olhar com um sorriso que o fazia estar distante de tudo. Os amigos tentavam falar-lhe mas ele não ligava,  apenas olhava para aquela rapariga que conhecera perto daquela casa assustadora.
 Ele ganhou um grande amigo. Chamava-se Anry. Era um rapaz baixinho com cabelos curtos e castanhos escuros e olhos da mesma tonalidade mas grandes. Era com quem ele falava todos os dias acerca de tudo. Era um amigo especial, alguém que nunca tinha tido na vida. Partilhavam de tudo. Gostavam das mesmas músicas, mesmos filmes, mesmos gostos, mesmos sonhos.. Anry sabia que Randy tinha gostado de Mandy apesar de não parecer. Algo estava errado nela mas mesmo assim ele não deixou de gostar dessa rapariga. Foi difícil ele ter espetado aquela faca no coração daquela rapariga que parecia tão doce mas que afinal nem humana era. Mas às vezes as escolhas mais difíceis são as mais acertadas. Ele sentia falta dela, muita mesmo. Sentia falta dos dias em que ele fingia estar de cabeça baixa mas estava com o olhar fixo para ela olhando para aqueles olhos esverdeados que com o sol se tornavam brilhantes.
 Mas ele esqueceu. Agora Sally era a rapariga que estava na cabeça dele.
 Sally sentia o mesmo por ele mas não contou a ninguém, deixou que Randy entendesse e que um dia ganhasse coragem para lhe pedir o número de telemóvel.
 Acabou por acontecer e começaram a falar por mensagens a toda a hora, nunca se cansavam um do outro. Ele um dia ganhou coragem e mandou-lhe um simples: "amo-te". Ela sorriu e respondeu: "eu também".
 Começaram a namorar. Mas havia algo que os impedia, não sei o quê. Cada vez que se encontravam na rua começava a chover, quando eles estavam de mão dada na escola apanhavam um choque. Parecia que alguma força os tentava separar.
 Anry aconselhava-o sempre. Sem ele Randy não conseguia encantar Sally apesar de ela gostar dele na mesma. O que Randy não sabia é que o seu melhor amigo a amava tanto como ele. Cada fez que Randy lhe pedia conselhos, uma grande melancolia percorria a cara dele deixando-o practicamente sem palavras. Ele sabia que Randy seria sempre o preferido, o herói, mas nunca o traíu como amigo.
 Um dia, Anry estava no quarto dele deitado em cima da cama a olhar para uma foto de Sally enquanto lhe fazia festas. Entretanto, uma sombra aparece-lhe à frente. Ele abriu muito os olhos mas ficou quieto: não falou, não se mexeu. Manteu-se no seu lugar. Essa sombra era a Mandy.
 - Mandy?! Não estavas morta?! - perguntou Anry estupefacto.
 - Quem disse que não estou? Eu quero ajudar-te.
 - Ajudar-me? Em quê?
 - Ambos sabemos quem queremos e ambos sabemos quem está a fazer de obstáculo.
 - Quem é que tu queres?
 - A Sally vai pagar pelo que me está a fazer! - disse enquanto um mar de chamas a rodeava.
 - É o Randy que queres? Mas como vais consegui-lo?
 - É aí que tu entras. - apareceu sentada ao lado dele enquanto ele se afasta um pouco dela.
 - Como assim?
 - Tu queres a Sally, eu quero o Randy.. Basta que acabes com ele e assim ambos temos o que queremos sem mais obstáculos.
 - Não! Não vou fazer isso ao meu melhor amigo! Se a Sally é feliz ao pé dele então eu também fico feliz.
De repente Mandy começa a esganar Anry enquanto ele tenta soltar-se com muita angústia. Um pequeno ciclone aparece diante dos seus olhos.
 - Ou ele, ou a Sally!
 - Não! Não eras capaz!
 - Não? Tens a certeza?
De repente ela afasta-se dele e tem agarrado em cada braço Randy e Sally deixando-os a sufocar.
 - Mandy, não!
Ambos estão prestes a morrer até que Mandy atira Sally para o chão deixando-a meia roxa enquanto sufocava cada vez mais Randy.
 - Por favor Mandy, larga-o! - disse Sally
 - É a ti que eu quero Randy, eu sei que também me queres!
O dia tornou-se cinzento, a janela abria-se e fechava-se compulsivamente, o ciclone tornava-se cada vez mais forte. Anry não sabia o que fazer..
 - Basta que o mates Anry, e a Sally vais ter, está nas tuas mãos.
Anry em pânico ao ver o quarto a revirar-se sozinho lembra-se que os mortos não suportam espelhos. Toda a casa abanava, tudo estava a destruír-se. Foi até à casa de banho enquanto via tudo em chamas. Cada passo o fazia cada vez mais sonolento e cansado. Já de gatas, chegou à casa de banho, conseguindo alcançar o espelho e levou-o até ao quarto protegendo-se atrás dele. Mandy olha para o espelho e dá um grito, um grito. Um grito bem agudo e forte ouvia-se pela casa toda. Randy consegue soltar-se enquanto uma luz branca fica em volta de Mandy e fá-la desaparecer.
O incêndio apaga-se. A casa deixa de abanar e o ciclone desaparece apesar de a casa ter um ar destruído. O céu abre-se. Todos têm marcas no pescoço causados por Mandy.
 - É a Sally que tu amas? - perguntou Randy
 - Sim. - disse Anry cabisbaixo
 - E não me dizias nada?
 - Ela ama-te, ela fica feliz contigo.
 Sally entra na conversa.
 - Desculpa Anry, mas é do Randy que eu amo. Foste muito forte em não fazer o que a Mandy disse, obrigada.
 - Eu só te quero ver feliz Sally. Desculpa Randy, eu não sei o que pensar agora, estou demasiado cansado e demasiado confuso, nada faz sentido.
Anry pega num pedaço de espelho que estava espalhado no chão.
 - Amo-te Sally. Meu melhor amigo, nunca te esquecerei.
E espeta-o no coração caíndo redondo no chão.
 - Anry, não! - disse enquanto uma lágrima caía no rosto.
Tentou reanimá-lo mas estava sem pulso. Randy ficou com remorsos, sentiu-se culpado. Sally começa também a chorar e abraça-se a Randy.
De repente vêem Anry vestido de branco diante dos olhos deles a sorrir durante uns segundos. Ambos se mantêm calados enquanto ele se dirige para a janela, ganha asas de anjo e voa da janela desaparecendo aos poucos.
Sentiram uma alegria apesar de tudo, estava tudo bem por agora. Nunca o esquecerão, nunca. O que ele fez ninguém faria. 

Fim do segundo capítulo (;

sábado, 30 de outubro de 2010

Lado obscuro de Mandy


 Era uma vez uma rapariga chamada Mandy. Era uma adolescente de cabelos morenos e escadeados, alta e olhos esverdeados. Era muito popular na escola, tinha bastantes amigos. Era querida, simpática, afável, bem educada e bastante pacífica. Vestia roupas bastante simples e coloridas. Todos gostavam dela à excepção de Randy. Randy era um rapaz alto com cabelos curtos e negros com uma pequena franja com olhos também negros. Era exactamente o posto de Mandy: antipático, bastante anti-social, gostava de andar sozinho, não tinha amigos nem participava nas gargalhadas dos colegas de turma e vestia roupas bastante escuras e repetidas. Mandy já tentara bastantes vezes ser amiga dele mas havia algo nela que ele não gostava. Ninguém entendia pois era impossível alguém não gostar daquela rapariga tão .. diferente.
Mas está certo que ninguém sabia como era a Mandy fora do ambiente amigável e escolar. Todos os dias ela se despedia com um sorriso e ia-se embora, impedindo que alguém soubesse mais algo dela até à manhã do dia seguinte. Randy também não sabia nada dela mas nunca de lembrou de se questionar quem seria ela realmente, apenas pressentia algo errado nela. Toda aquela simpatia era estranha, por trás daqueles sorrisos e palavras alguma coisa estava escondida por trás disso tudo. Algo terrível pensara ele. Cada vez que ele a via, baixava a cabeça, algo por detrás dos lindos olhos dela o assustava. Ele parecia ser uma pessoa fria, bastante fria. Mas a culpa não era dele, ninguém o aceitava como ele era. Ninguém gostava de ouvir as músicas dele ou falar dos filmes que ele via. Pelas ruas da cidade, andava sempre de mãos nos bolsos de cabeça baixa, dando pontapés ás pedras que via no caminho ao som do leitor de música que levava sempre no bolso do casaco.
 Num dia chuvoso, quase de noite, Randy de capuz na cabeça, passeava num local com estradas feitas de terra e algumas quintas e casas de campo. Era um local muito sossegado, eram raras as pessoas que passavam por aquele local a não ser os donos das quintas e das casas. No caminho haviam bastantes poças de lama mas Randy não se importava, seguia sempre em frente deixando as calças pretas que ele usava todas enlameadas.
 Quando ele estava a passar por uma casa quase destruída com telhados fora do sítio e janelas que se abriam e fechavam repetidamente por causa das rajadas de vento, reparou que uma rapariga exactamente igual à Mandy estava de encontro a essa casa. Ele decidiu dirigir-se à casa para verificar se era mesmo ela. Mas depois pensou duas vezes e desistiu. Não imaginava aquela menina tão adorada por todos, cheia de cores e sorrisos a frequentar uma casa tão assustadora como aquela.
 Enquanto se afastava da casa, algo nele lhe dizia para seguir aquela rapariga misteriosa. Decidiu parar de costas para a casa e voltou-se para ela sempre de mãos nos bolsos. Levantou a cabeça para a ver melhor e despertou-lhe muita curiosidade. Ele gostava muito de aventura. Apesar de estar sempre muito fechado no mundo dele, ele gostava de descobrir algo macabro e novo sempre. Finalmente correu até à casa olhando pelos lados verificando se alguém o seguia naquele momento. Aquela casa tinha um pequeno portão antes meio estragado e tinha algumas árvores desfolhadas dentro da herdade. Parecia uma casa abandonada. Enquanto ele se aproximava mais da casa, mais a trovoada tombava sobre ela e mais barulho fazia. Ele era corajoso, não tinha medo de nada. Quando chegou mesmo ao pé da porta principal, reparou que era uma casa que apesar de destruída, era bastante grande. Tinha três andares mas cada piso era mais estreito que o outro. O último andar parecia ser uma espécie de sótão. Pensou em rodar a maçaneta da porta para a abrir mas a poucos centímetros dela, fechou a mão colocando-a de novo dentro dos bolso. Olhou mais uma vez para cima e virou costas sentando-se nas escadas que estavam antes da casa. Ficou lá sentado durante uns tempos até que ouve um ruído de uma porta a abrir. Continuando sentado, vira as costas para ver se era a porta que se tinha aberto naquele momento. E era mesmo. Aquela porta abrira-se sozinha pois ninguém estava por perto. Com um salto ele dirige-se apressadamente a ela abrindo-a mais um bocado para conseguir passar diante dela. 
 Entrou. A casa estava cheia de teias de aranha, ratos, restos de tecto no chão e pó por todo o lado. Dos poucos móveis que tinha nenhum estava em condições, todos estavam meio destruídos cheios de baratas e outros insectos. Começou por ver melhor a casa dando pequenos passos para a frente enquanto rodava a cabeça lentamente para os lados. Começou por subir as escadas. Enquanto o fazia, ia ouvindo algumas vozes bastante assustadoras. Vozes leves e com bastante eco. Que pareciam existir e ao mesmo tempo que eram apenas fruto da imaginação dele. Passados uns segundos, um bocado de tecto cai para cima das escadas fazendo um grande estrondo. Randy ao olhar para trás não se apercebeu e trespassou com a perna um buraco que se encontrava nas escadas ficando lá preso. Durante alguns minutos que para ele pareciam longos, ele tentava soltar-se com grande aflição. Exprimentou agarrar-se muito bem ao corrimão e lá conseguiu sair daquele buraco. A perna estava em ferida. Tinha bastantes arranhões. Mas ele não se importou, continuou a subir as escadas a coxiar mas desta vez com mais cuidado aos buracos que se encontravam nelas.
 Quando chegou ao terceiro e último piso, reparou que haviam algumas portas naquele corredor. Não pareciam assutadoras, eram portas banalíssimas feitas de madeira escura com maçanetas tom dourado. No final do corredor estava uma porta diferente das outras. Era preta, grande com algumas luzes saídas dela. Luzes dos relâmpagos que completavam aquela noite escura. Enquanto ele se aproximava da porta, as luzes que se encontravam no corredor piscavam a cada passo mais perto da porta. Os ruídos das janelas eram cada vez mais frequentes, a água da chuva cada vez mais forte e as vozes que ele estava a ouvir cada vez mais nítidas. Quando ele chegou à porta com um certo receio, rodou a maçaneta abrindo-a. Quando a abriu não via nada, o que via era a janela que inchava e os pequenos raios de luz que os relâmpagos faziam. Reparou que havia um candeeiro ao lado dele. Quando ele o acendeu deu um grito. Um grito bem alto com a sua voz grossa. Naquela sala havia sangue por todos os lados, corpos mortos espalhados pelo chão de olhos abertos com três facas espetadas no coração e marcas de esgano no pescoço. Virou-se para se ir embora mas Mandy estava por detrás dele. Estava diferente. Tinha os olhos vermelhos e assustadores, dentes afiados, unhas compridas e roupas muito negras. Ele não acreditara no que vira. Esfregou os olhos para verificar se era mesmo ela enquanto dizia consecutivamente "Não pode ser, não pode ser". Ela com um sorriso macabro acenou com a cabeça e começou em passos lentos de encontro a ele. Ele afastava-se ao mesmo ritmo até que tropeçou num dos muitos corpos mortos. Mal se levantou andou de costas apalpando o caminho que se encontrava por trás dele para evitar que tropeçasse outra vez. Até que ele reparou que estava no fundo da sala ao lado da janela. Entretanto ela fecha-se aumentando o perigo. Ele tentou abri-la mas não conseguiu. Mandy estava a segui-lo com uma faca na mão.
 - Mandy, pára! - disse ele aflito
 - Ninguém te mandou te pores no meu caminho.
 - Mas e toda a tua simpatia? Foste tu que mataste estas pessoas que estão espalhadas pelo chão?
 - Dentro de instantes saberás quem foi -disse ela com uma faca que retirara de um corpo morto meio arroxeado.
 Ela com faca espetada na mão aproximava-se dele.
 - Tu és doida! - disse Randy enquanto tentava abrir a janela.
 - Não vale a pena, ela não vai abrir. Vais ver que te vou pôr num mundo .. diferente, confia em mim.
 Enquanto Randy grita um longo "Não", Mandy aproxima a faca de Randy. Está cada vez mais perto e mais perto até que ao que parecia ser o último segundo de vida dele, com respiração ofegante, ele dá um pontapé à faca afastando-a para longe de Mandy. Ele corre até à faca e espeta-a no coração de Mandy. Ela entretanto grita também um "não" bem longo enquanto ela cai de joelhos no chão e se vai transformando em pó. Um pó que se transforma em líquido com um cheiro nauseabundo a ovos podres. Ela desaparecera.
 O dia nasceu naquele momento. O sol começou a brilhar naquela casa, a trovoada e a chuva pararam. Tudo o que estava destruído voltou ao normal e todas as pessoas que estavam espalhadas pelo chão deixaram de estar rodeadas de sangue e levantaram-se meias tontas perguntando "onde estou? O que aconteceu?". E ele a tentar respirar acalma-se. Olha em volta daquela casa e levanta-se do chão. Desceu as escadas e não tinha nem um único sinal de estragado, estava tudo perfeito. Aquela herdade estava rodeada de árvores de fruto e flores coloridas, já não parecia assustadora. Mesmo assim ele afasta-se da casa a correr. Deixa cair o mp4 ao chão até que uma rapariga loira o apanha e grita: "Rapaz, deixaste cair isto". Ele ao ouvir aquela voz doce, pára de correr e vira-se indo de encontro à rapariga. Sorriem mutuamente e a rapariga devolve-lhe o mp4.
 - Qual é o teu nome? - Pergunta ele
 - Sally e o teu?
 - Randy.
 Ele apartir daquele momento deixou de ser um rapaz triste. Saíram de mão dada daquele local sem mais perguntas. Começou a ter mais amigos e a conjugar mais as cores nas roupas.
 Passados uns dias descobrem o que se passou e ele assim torna-se um herói à vista de toda a gente.

        Fim do primeiro capítulo (: