sábado, 10 de setembro de 2011

Aqui não há lugar para loiros de olhos azuis , só para o Randy ♥

 Randy constrangido com o sucedido afasta-se de mãos nos bolsos com uma pequena lágrima a escorrer-lhe pelo rosto . Enquanto se afasta pensa no que poderá ter acontecido . Será a Mandy outra vez ? Não se sabe . Talvez sim , talvez não . Vindo dela já nada é impossível mas Randy não se podia basear só nela pois nunca se sabia se algum dia ela se apoderava disso para fazê-lo cair nalguma armadilha . Mas ele não pôs essa ideia de lado . Agora ele tinha medo de andar na rua sozinho , até de ouvir uma simples rajada de vento.. já tudo podia ser motivo para alguma possível morte , algum desaparecimento ou algo fora do normal . Não mostrou medo no seu rosto e manteve-se na dele enquanto se dirigia para sua casa onde pelo menos ainda podia estar mais ou menos seguro . Enquanto se ia deslocando tirou de um dos bolsos o seu único e verdadeiro amigo fiel: o seu leitor de música . Agora já não podia confiar em ninguém , mesmo ninguém.. nem mesmo nos pais . A Mandy era poderosa e podia apoderar-se quando queria dos seus mais próximos manipulando-os sem eles se darem conta . Ele nunca tinha assistido a tanto em tão pouco tempo . Aliás .. ele nunca assistiu a nada disto , ele nem acreditava que isto um dia poderia acontecer . Ele lembra-se dos dias em que observava a Mandy a ser adorada por todos , no seu sorriso que parecia ser tão inocente mas que ele escondia a admiração que tinha por ela . Ele infelizmente tinha razão quando mostrava às pessoas que não gostava dela e nem sabia disso .. Randy pensou no quanto a vida lhe tinha sido injusta para ele . Aliás , foi tudo tão estranho: depois da tempestade veio a bonança , mas depois disso a tempestade voltou e assim sucessivamente . O bom de lhe ter acontecido tudo aquilo foi ter conhecido a Sally . Mas o mau é que ele colocou-a sem querer no perigo . Agora já não há nada a fazer , ela já se encontra nas mãos de Mandy e com sorte a sua vida não vai chegar ao fim .  Randy sentou-se nos bancos no parque infantil e observou as crianças colocando o seu leitor de música de lado . Lembrou-se naquele dia em que ele e Sally foram lá . Ele estava neste momento exactamente sentado no mesmo lugar da outra vez . Teve uma miragem e parecia que Sally estava ao lado dele . Mas ele olhou outra vez para o seu lado e ela não estava lá . Já era quase de noite e ele decidiu ir para casa , tudo aquilo tinha-lhe dado fome .
 Pegou outra vez no seu leitor de música , ajeitou o capuz do casaco que estava torto , procurou um carro olhando para o retrovisor esquerdo deste só para verificar que o seu cabelo estava no sítio até que um homem o empurra para o lado dizendo: "sai daí rapaz , tenho uma reunião importante e não tenho tempo para esperas" . Entretanto o homem pousa a mala do outro lado do banco , entra rapidamente dentro do carro e arranca dali a uma grande velocidade . Randy encolhe os braços e começa o caminho para casa . "Pensando melhor quero lá saber do meu cabelo ou do meu capuz , de qualquer forma a minha vida já está mal.." pensou ele . Demorou mais ou menos quinze minutos a chegar a casa enquanto o sol se ia pondo aos poucos . Até que ele pára e observa o pôr-do-sol . "Bem , pelo menos isto já não compete a Mandy mudar , isto pertence à natureza" disse ele em tom normal pois ninguém estava ali . Quando chegou a casa tirou a chave do bolso , procurou a chave certa entre as sete chaves existentes no porta-chave e pôe a cahve na fechadura . Bem.. pelo menos tentou . A fechadura não era a certa . tentou experimentar todas as chaves mas nenhuma deu para abrir a porta . Até que ele bate à porta perguntando-se para ele mesmo "porque raio é que a fechadura tinha mudado" . Até que o seu pai abre a porta devagar ficando com olhar indiferente a Randy . Este não ligou e disse: "Ah pai então fechadura nova hân ? Já me ias deixando dormir debaixo da ponte hoje !" e tentou entrar em casa mas o pai não permitiu a passagem . Randy deu dois passos para trás e perguntou bastante espantado: "Então ?" . O pai responde: "desculpe ? "pai" ? Mas o menino pensa que está a falar para quem ?" . Randy semi-cerrou os olhos , olhou de esguelha para o lado durante mais ou menos um segundo e voltou para o pai "Penso que estou a falar para o meu pai , obviamente .. Mas estás a brincar comigo ?" . O pai disse: "Bem , não sei qual é o seu objectivo mas .. tenha uma boa noite , eu estou prestes a servir o jantar ." E fechou-lhe a porta . Randy ficou com os olhos muito abertos dirigidos para a porta e pensou no que se estava a passar ali . Até que ouve uma mota a aproximar-se . Esconde-se por detrás de uma árvore ali perto e repara que quem está na mota é o tal rapaz loiro de olhos azuis que lhe deu um murro insinuando que era o namorado de Sally . Este tira o capacete colocando-o à volta do braço direito , tira a chave da ignição e desloca-se para casa usando a sua chave que abriu a porta . Randy sem dar nas vistas aproxima-se da porta quando o loiro entrou na casa . Olha para a janela que está na sala de jantar e repara que o loiro se senta no lugar dele e começa a comer . Randy esfomeado afasta-se . Reparou que agora era um sem abrigo , órfão e solteiro .
 Cheio de frio , cruzou os braços e começou a correr para longe dali . Não sabia ao certo para onde ia mas procurou por um sítio abrigado para poder passar a noite com algum conforto (dentro dos possíveis , obviamente) . Até que ele encontra um outro parque a uma hora dali depois de tanto andar que tinha uma espécie de casinha . Subiu umas escadas e ficou lá . A tal casinha tinha uma laranjeira de lado e ele sem pensar duas vezes arrancou uma começando a descascá-la .. a fome já era bastante e já não havia paciência para pensar em perigos . Atirou as cascas para o lado , aninhou-se e adormeceu ali num sono profundo .
 Por volta das sete da manhã ele acorda . Olha em roda e repara que tudo se mantém como estava naquela noite mas , claro com mais claridade devido ao sol existente naquele momento . Levantou-se , espreguiçou-se e pensou no que poderia fazer naquele dia . Desceu as escadas da tal casinha onde se encontrava e tentou ligar o leitor de música mas este não ligava , estava sem bateria . Enervado atira-o para um lago ali perto .. nem música já podia ouvir . Afasta-se mas depois arrepende-se voltando para trás e retira o leitor do lado limpando-o com a t-shirt dizendo "mesmo que não funciones ainda te manténs comigo , sempre.." . Afasta-se com ele na mão e começa a passear por aí . Até que ele vê Sally com o loiro de mão dada a rir-se e a dar-lhe beijinhos de vez em quando . Ele mantém a calma mas fica com vontade de esganar alguém , mais especificamente alguém loiro e com olhos azuis . Continua o seu caminho e ultrapassa-os até que o loiro ao vê-lo começa a rir-se e a chamá-lo de "vagabundo idiota" . Randy mantém-se na dele e nem liga apesar de por dentro ter uma grande vontade de o atirar para um precipício . O que o fez sorrir foi o facto de Sally ter dito: "não maltrates o rapaz , deixa-o em paz.." . Foi a alegria do dia . Ele virou-se para trás e sorriu para ela agradecendo de uma certa forma o seu gesto .. mal ela sabia quem era ele verdadeiramente . Ela retribuiu-lhe o sorriso . Ele afastou-a dele e mudou de rua . Rando parou e observo-a a afastar-se com o braço dele por cima das costas . Baixou a cabeça e continuou o seu caminho numa direcção diferente da dela . Ele já estava mesmo farto daquele loiro .. tirou-lhe tudo ! Tirou-lhe a casa , os pais , a comida , a namorada , estilo , a higiene , a felicidade .. tudo . Randy já estava tão farto de tudo que já nem queria saber da sua reputação na cidade . O seu pensamento já não estava limpo , tinha apenas ideias assassinas e coisas estranhas . Ele tinha mudado , a vida mudou-o . Aliás , a vida não o mudou .. ele é que mudou o rumo certo dela tornando-a menos linear . Desistiu dos seus princípios , dos seus verdadeiros sentimentos .. desistiu disso tudo enlouquecendo por completo .. pensou em matar o loiraço .
 Quando a noite caíu ele decidiu percorrer as ruas à procura de alguém armado sem ter medo de morrer ou de matar alguém .. a morte para ele já era algo tão normal que a política dele agora era: "menos um , quem é o próximo ?" . De capuz na cabeça foi para umas ruas onde se encontravam algums bêbedos . Ele conseguiu dar um murro a um deles e roubar-lhe o canivete correndo dali . Pô-lo no bolso e foi ter ao tal parque onde se encontrava a tal casinha . Dormiu apenas algumas horas e começou o seu plano de vingança . Quando o sol nasceu foi até "sua casa" e esperou pelo loiro . Quando este saíu Randy segui-o pois em vez de se deslocar de mota foi a pé então era mais fácil . Quando eles estavam num sítio despovoado , Randy tira o canivete do bolso , agarra no loiro pelo pescoço e arrasta-o até um sítio ainda mais escondido sem dizer uma única palavra . "Destruiste a minha vida , agora é hora de destruir a tua !" . Até que Sally vai a passar por aquele local não se sabe porquê . Ela ia distraída a mandar mensagens no telemóvel até que ouve um grito de sofrimento .. Randy espetou-lhe o canivete no coração e deixou-o ali . Sally corre até ao local e começa a chorar . Randy olha para ela assustado e o seu coração começa a palpitar . Ela com medo dele começa a afastar-se aos poucos . "Não Sally eu não te faço mal , ele é que te estava a fazer mal" . Ela em pânico corre para longe dali lavada em lágrimas . Ele deita cair uma lágrima.. não era assim que ele planeara . Ele sentiu-se tão arrependido , tão estranho , tão perdido . Matou pela primeira vez uma pessoa tudo por raiva . Ele ofegante atira o loiro pelo precipício e observa-o a cair até espetar-se numa rocha , era o fim . Correu dali à procura de Sally mas esta já estava a chamar a polícia . Entretanto ele ouve algumas sirenes .. a queixa já tinha sido feita e ele estava prestes a ir preso . Cheio de medo começa a chorar ali e deixa que os policias o apanhem levando-o para a esquadra . Era o início de uma nova vida , de algo ainda mais diferente . Será que ele vai ficar ali para sempre .. ou não ?


Fim do 6ºcapítulo (:

sábado, 25 de junho de 2011

Maçã envenenada

 Menos uma alma presente entre nós, mais lágrimas derramadas e mais medo sentido . Receio de perderem mais algum ente querido, pois já muitos estes partiram até agora . Randy pensara que a causadora de todas aquelas mortes era Mandy . Talvez fosse, talvez não . Não há palavras para descrever o sofrimento provocado por Mandy, com uma mera razão sem sentido . Randy não era o único a pensar isso, Sally era também da mesma opinião . Eles eram fortes, mas por muito que no exterior se mostrassem bem, no interior sentiam medo do desconhecido, pois nunca sabiam o que ia acontecer de seguida . Eram demasiadas emoções para serem sentidas num momento tão curto .
 Randy e Sally saíram de casa de mãos dadas cabisbaixos com algumas lágrimas a escorrerem pelos seus rostos . Chegaram à porta da igreja e pararam . Durante uns segundos observaram aquele caixão que estava colocado perto do altar . A igreja estava quase vazia, apenas se encontrava o Sacerdote que, de mãos elevadas no ar dirigidas para o caixão, estava a rezar pela alma da mãe de Randy . Quando os observou diante da igreja, reparou nos seus olhos cobertos de lágrimas e, lentamente, baixou e levantou a cabeça ao mesmo tempo e ao mesmo ritmo em sinal de respeito, dando a entender que lamentava todos aqueles acontecimentos . Eles esboçaram um pequeno sorriso e entraram na igreja, sentando-se na última fila . Entretanto, atrás deles, aparece o pai de Sally juntamente com os pais de Randy que os cumprimentam sentando-se a seu lado. A mãe de Sally pega na mão de Randy para consola-la . Entretanto, mais algumas pessoas entram no local e sentam-se . Algumas dirigem-se ao caixão deixando flores, outras limitam-se a observa-lo limpando as lágrimas com um lenço .
 Quando a missa termina, todos se dirigem até ao cemitério menos Randy e Sally . Acharam que não era necessário deslocarem-se até à chamada "última morada" pois estava sempre presente nos seus corações . Limitaram-se a sentar-se nas escadas da porta da igreja, voltados para a rua pensando no que mais poderia acontecer . Sally observa a Randy deitando algumas lágrimas e decide abraça-lo segredando-lhe ao ouvido que nunca o ia deixar e que estaria sempre presente para ele . Ele esboça um pequeno sorriso e, num tom baixinho, diz "amo-te" . Ele levanta-se e estende a mão para Sally a segurar para começarem a caminhar até onde os destino os levasse .
 Estava um lindo dia de sol . Era dia de equinócio primaveril e, depois de muitos dias de chuva intensa, finalmente o céu abriu-se . Já se soava o cantarolar das andorinhas que por ali voavam e as árvores estavam cobertas de flor . Decidiram sentar-se num banco perto do parque infantil . Observaram a alegria das crianças que andavam de baloiço, na inocência daquele baloiçar . Sorriram . Lembraram-se dos tempos em que eles eram crianças .. sem preocupações, com actos cometidos sem pensar nos eventuais perigos.. Mas no final de contas eles ainda eram crianças, não era justo estarem a passar o que estavam . Apesar de estarem a poucos anos da maioridade, continuavam crianças . Estes eram obrigados a enfrentar os problemas como verdadeiros adultos . Enquanto observavam uma menina com um metro e trinta de altura, trancinhas, franjinha, cabelo castanho, olhos azuis e um vestidinho vermelho correu até eles com uma margarida vermelha na mão assim do nada . Eles olharam para ela e a menina estendeu a flor para Sally . Depois envergonhada colocou as duas mãos nas costas e começou a girar para a esquerda e para a direita sem sair do sítio . Sally sorriu e deu uma festinha na cara da miúda , Depois esta voltou a correr para o pé dos amigos . Randy pegou na margarida e sorriu também . Olhou para Sally que estava concentrada na diversão dos meninos . Decidiu pôr o braço por cima dela e apertou-a contra ele ligeiramente . Eles não entenderam a atitude da menina mas não ligaram.. era apenas uma criança . Aquele gesto fê-los esquecer-se dos problemas por uns momentos . Os pais estavam lá perto a ver os seus filhos a brincarem . Até que estes diziam para ir embora . Uns faziam birra, outros obedeciam.. até dava para rir um bocadinho . Um dia eles infelizmente tinham de abrir os olhos ao mundo real, mas por agora estavam a leste do que se passava . "Coitadinhos" disse Randy para Sally em voz baixa "um dia vão ser adultos e este mundo não os consegue receber com a sua inocência, são obrigados a mudar pela maldade que reina . E um dia, tornar-se-ão um deles sem se aperceberem . Mais tarde quando souberem o erro que estão a cometer já está tudo estragado, não não há nada a fazer"  . 
 Passado uns tempos levantaram-se e sempre de mão dada, foram para casa de Randy . Decidiram reconfortar o pai de Randy que eles supunham estar de rastos . Passaram pelo campo das flores, um campo onde obviamente se encontravam vários tipos de flores como o próprio nome indica . Estavam alguns pais com alguns filhos a rebolar pela relva ou a atirar uma bola aos cães que lhes pertenciam . Randy soltou uma pequena lágrima . Foi tão pequena que Sally nem reparou nela, continuando com o mesmo sorriso de sempre . Depressa Randy limpou a e observou Sally que estava cabisbaixa apesar de manter o sorriso . Ela sentiu o seu olhar e também olhou para ele . Sorriram mutuamente e depois desviaram o olhar para continuar a olhar para as pessoas que se localizavam naquele campo .
 Chegaram a casa finalmente e ficaram à porta da sala . De lá repararam o pai de Randy que estava no cadeirão que estava de costas para a entrada e de frente para a lareira que naquele momento estava desligada . Randy"então filho como andas ?" .
 - Lamento o que aconteceu com a mãe, quero que fiques bem - disse Randy
 - Mas eu estou bem - limpou uma lágrima e continuou - mão te preocupes comigo, isto é passageiro, amanhã já devo estar bom .
 - Eu sei o quanto és forte - e mais uma vez pousou a mão no ombro do pai mas desta vez estendeu-se para a frente - tens que superar a perda da mãe, eu sei que não estás bem .
O pai bateu ligeiramente duas vezes com a mão na mão do filho e disse que estava bem .
 - Onde está a família de Sally ? Não estavas com eles ?
 - Sim, mas pedi para que me deixassem sozinho - e pegou na moldura com a fotografia dele e a sua mulher dando uma pequena festa na cara dela .
 Entretanto a campainha toca . Sally vai abrir e ao fazê-lo vê a sua mãe . Dá-lhe um beijo e repara que ela traz consigo um álbum de fotografias . Deviam ser as fotografias que têm andado a tirar desde sempre, pois as duas famílias sempre fora  muito unidas . A perda da mãe de Randy era muito significante para a família de Sally também . O pai de Randy olha para trás continuando sentado no cadeirão e quando vê a mãe de Sally, por educação, levanta-se e vai cumprimentá-la .
 - Como estás ? - pergunta-lhe a mãe de Sally
 - Não vou dizer que estou bem, pois assim estaria a mentir .. Pode-se dizer que vou andando . O que te traz esta visita ?
Ela estende o álbum de fotos e ele pega nele .
 - Bem, o que aqui trazes..
 - .. é o álbum de fotos . Uma relíquia hân ? - completou ela .
Ele levou o álbum consigo e sentou-se no cadeirão . Todos o seguiram e aleatoriamente sentaram-se nos sofás ao lado de forma a verem o álbum com ele . Ele foi revirando as páginas e explicando a Randy e e Sally os momentos que as famílias tiveram juntas antes de eles nascerem . Até que começam as fotografias de eles pequenos . Até que Sally começa a reparar que a menina das fotos estava no parque . Era a tal que lhe tinha dado a margarida vermelha, com o mesmo vestido e tudo .
 - Mãe, quem é esta ? - pergunta Sally
 - Esta és tu, quando eras mais nova . Adoravas vermelho . O que te fascinava mais eram as margaridas vermelhas .
 - É impossível ! Esta menina estava no parque hoje de tarde ! - disse Sally levantando-se do seu lugar
Ficaram todos muito atónitos a olhar para ela, incluindo Randy . Nem este entendia porque ela estava assim, estava estranha . Até que se recordou do momento em que a menina das trancinhas entregou a Sally e também se levantou de repente . Levou a Sally pela mão até ao quarto dele e sentaram-se os dois na mesma cama .
 - Aquela menina.. - começou Randy
 - Pois, exacto.. aquela menina ! Que era exactamente igual a mim !
 - Bem, isto é estranho..
Ela olhou para ele com cara de "depois de tanta coisa que nos aconteceu de forma estranha ainda te admiras ?!" . Ele concordou assentindo com a cabeça .
 - Não podemos ficar aqui, temos de voltar lá - disse Sally
Levantaram-se, desceram as escadas apressadamente e disseram em tom apressado "já voltamos" enquanto se deslocavam para a saída . Em passo de corrida foram ter ao parque e a menina j+a não estava lá . Constrangidos voltaram para trás até que a viram a correr .
 - Menina, espera ! - disse Sally enquanto esta e Randy corriam atrás dela .
Ela não esperou . Continuou a correr com uma margarida na mão . Eles não desistiram e correram sempre com ela até que ela parou ao lado de uma macieira . Sentou-se e tirou no bolso um pequeno livrinho fingindo que não os via .
 - Olha, quem és ? - perguntou Sally
 A menina sorriu para ela e sem responder continuou a ler o livro que só se resumia em bonecos . Até que se levantou e apanhou uma maçã que ao estar madura tinha acabado de cair . Deu a maçã a Sally de forma a que esta a comesse . Ela nem desconfiou, era apenas uma maçã . Uma apetitosa e vermelha maçã .
 - Prometes responder-me se a comer ?
A menina assentiu com a cabeça com um grande sorriso .
 - Bem.. então cá vai .
E ela trincou a maçã . Ao fazê-lo engasga-se e desmaia, tal como na história da Branca de Neve e os Sete Anões .
 "Sally !" gritou Randy enquanto se pôs de cócoras e colocou a cabeça dela em cima dos joelhos . Olhou para a menina que assim de repente se transformou em Mandy .
 - Nunca confies no teu passado, nunca se sabe se um dia te envenenará . - disse ela antes de soltar uma gargalhada e desaparecer .
Ele nem sabia que ela ia voltar, mas pelos vistos aquela malvada voltou . Ele sabia que na história a Branca de Neve acordava com o beijo do seu verdadeiro príncipe . Ele beijou-a com a esperança de ela acordar mas não resultou . Ele, triste não sabia o que fazer . Pensou que se calhar não era o seu príncipe encantado .
 Até que assim do nada um rapaz alto, com cabelo loiro acastanhado e franja para o lado vai socorrê-la .
 - Afasta-te da minha namorada ! - disse ele enquanto o afastava .
Até que a beijou . Ela lentamente abriu os olhos despertando para a realidade . Randy sem perceber nada vai ao pé dele, dá-lhe um murro e diz:
 - A namorada é minha, deves estar a confundir ! Vai para casa e não voltes, a não ser que queiras que te parta a cara toda !
Aproxima-se de Sally e faz-lhe uma festinha na cara . Ela afasta-o e diz:
 - O que fizeste ao meu namorado ?! Eu conheço-te ?!
O rapaz retribui o murro a Randy e volta para Sally enquanto ela assustada abraça o rapaz indiferente ao seu suposto namorado Randy . Ele afasta-se e começa a chorar pelo sucedido, afinal o que Mandy tinha feito desta vez ?

Fim do quinto capítulo (:

sábado, 5 de março de 2011

Pesadelos sonhadores

 Randy não sabia o que se passava com ela . Parecia demasiado agarrada a ele, e não nada era comum Sally ser assim . Ele gostava dela por esta lhe dar o espaço comum que todos necessitamos . Mas agora estava diferente, parecia completamente obcecada por ele . Ele ficou meio atordoado com a notícia que a sua namorada mudou . Ele continuava a amá-la mas era diferente ..
Entrou em casa e enfiou-se no quarto trancando a porta deste e atirou-se literalmente para a cama de mãos atrás da cabeça com uma perna flectida e a outra meio estendida desligando o leitor de música colocando-o em cima da mesinha de cabeceira . Pôs-se a pensar nela .. E recordou-se do que Mandy era quando vivia . Exactamente o mesmo ! "Será que ela entrou dentro do corpo de Sally ?" pensou ele . Se não fosse faria figura de parvo ao discutir com Sally se ela era mesmo ela ou não . Decidiu então ficar no seu lugar, sem mudar o seu estado de espírito . Pegou no telemóvel e pensou em ligar-lhe como lhe tinha prometido, mas largou-o de imediato desligando-o impulsivamente evitando que Sally lhe ligasse . "Mas ela apenas mostrou o amor que tem por mim ! Porque é que eu estou tão preocupado ? Ela deixou de ser tão tímida . É bom, acho eu .... Mas vou deixar-me de ideias, é a Sally e ponto final. Ela ama-me e eu amo-a a ela !" . Pensou mais uma vez enquanto se levantou da cama para ir espreitar da janela . Muito calmo, dirigiu-se a esta e cruzou os braços sob o parapeito com a cabeça em cima deles . Começou a ver uma rapariga um bocado longe dali a dirigir-se para a casa dele . Ele nem quis acreditar .. ERA SALLY . Ele entrou em pânico e decidiu rapidamente fechar os estores da janela e deitar-se na cama. Ele próprio não entendia a sua reacção, parecia que não era da Sally que se tratava mas sim da Mandy.
 Com tudo o que Randy vira no passado, já não se admirava que era realmente ela que tinha entrado no corpo de Sally . Decidiu enfrentar . Saíu do quarto disparado e saiu de casa sem hesitar indo de encontro a ela . Ela correu até ele e abraçou-o de tal forma que quase que o sufocava . Ele sorriu para ela sem sequer saber quem é que estava na sua frente com receio que algo fosse acontecer . Sally pegou-lhe na mão e passearam pelo sentido contrário da casa de Randy . Este olhou para trás e observou a sua mãe a olhá-lo pela janela, preocupada . Ele sorriu e deu a entender que estava tudo bem . Ela sorriu fingindo que também achava que estava tudo bem mas uma lágrima escorreu-lhe o rosto enquanto ela sobrepunha a palma da mão na janela como se o fosse perder . Limitou-se a vê-los afastar-se e quando os perdeu de vista sentou-se no sofá receando que algo ia acontecer .
 Randy estava muito preocupado com a sua mãe, sabendo perfeitamente que ela estava a sentir-se mal . Em pensamento pediu-lhe desculpa, mas era um caso de vida ou de morte . Foram até ao jardim mais próximo dali e sentaram-se . Ela não desviava o olhar dos seus olhos negros e nunca parava de sorrir .
 - Olha... estou preocupado contigo - iniciou Randy enquanto desviava o seu olhar daqueles grandes olhos que quase que o sugavam de estarem tão fixos e abertos .
 - Porquê ? - questionou ela semicerrando os olhos parecendo zangada .
Ele com medo esboçou um simples sorriso mas continuou .
 - Tu não és a mesma Sally de sempre . Nunca foste assim tão... apegada a mim... entendes ? Parece que pensas que me vais perder . Eu gostava que me desses mais espaço, tu quase que me sufocas .
Ele sentiu um arrepio e pensou que a sua vida ia chegar ao fim . Fechou os olhos e continuou .
 - Desculpa estar a ser franco contigo, apenas quero dizer-te a verdade .
Ela mostrou-se bastante ofendida e tomou uma atitude muito agressiva, começando a gritar com ele .
 - O quê ?! Eu amo-te mais que tudo, quero-te só para mim e tu dizes-me isso ?! Tens razão, eu estou diferente ! A tua querida Sally desapareceu . É comigo que deves estar, ela não te merece !
Ele sentiu um nó na garganta e afastou-se lentamente dela recuando alguns passos . Uma grande trovoada apareceu . Os céus fecharam e as nuvens tornaram-se negras . Começou a chover torrencialmente . Ela aproximou-se dele lentamente enquanto dizia que ele ia pagar pelo que lhe estava a fazer . Ele começou a correr mas um raio atingido-o deixando-o estendido no chão, sem se mexer . Por uns momentos ele sentiu-se fraco, sem defesa . Fechou os olhos, era o sue fim . Até que alguém apareceu do nada . Uma rapariga que lhe era completamente estranha, toda vestida de branco, tentou combater a Mandy, impelindo-a a sair do corpo de Sally . A rapariga colocou a mão sobre o peito de Randy gerando uma espécie de luz que começou a iluminá-lo por completo . Durante uns segundos o seu corpo parecia luz . Ela retirou a mão dela e ele lentamente foi abrindo os olhos . Ela estava de joelhos a seu lado até que se levantou e foi de encontro ao corpo de Sally que também estava estendido no chão procedendo da mesma forma que tinha feito a Randy . Tanto Sally como Randy levantaram-se devagar entreolhando-se . Ele deixou de ter receio e correu para os braços dela dizendo que tinha saudades dela . Ela sorriu-lhe . Finalmente ele estava ciente que não se tratava de Mandy mas sim da verdadeira Sally . A rapariga de branco sorriu para eles e afastou-se . Ele ia pedir-lhe que ficasse lá com eles mas algo o impediu . E ela foi afastando-se lentamente até que desapareceu .
 - Estás bem ? - pergunta Randy .
 - Sim, estou . Obrigada por perguntares . Nem sabes o que eu chorei nos dias anteriores ao ver-te sofrer com ela pensando que era eu .
Ele fez-lhe uma festa na cara com as costas da sua mão direita enquanto pegava na mão de Sally com a mão esquerda .
 - Eu sabia que não eras tu, eu conheço-te mais do que ninguém . E não te esqueças que eu sei quem amo . Sabes que eu amei Mandy mas foi tudo um erro . Tu és tudo para mim agora . Graças àquela rapariga de branco estamos salvos . Espero que finalmente tudo acalme, não quero ver-te sofrer . Apenas quero ver-te feliz, é o que me traz a felicidade acima de tudo .
 Digiriram-se até à casa de Randy de mãos dadas . Randy abriu a porta até que observou a sua mãe de olhos fechados em cima do sofá com a cabeça ligeiramente inclinada para a frente .
 - Mãe ? - disse ele dirigindo-se a ela enquanto Sally se encontrava à porta .
Sua mãe não falou, não reagiu . ELe pensara que estava a dormir mas não . Com toda aquela pressão morreu . Ele chorou a sua morte euquanto ele tentava reanimá-la . Olhou para Sally enquanto chorava . Sua querida mãe que o acolhera durante quase quinze anos morreu . O pai dele chegou a casa e ao ver a sua mulher morta, mantendo a calma colocou sua mão por cima do ombro de Randy . Este com os olhos molhados abraçou o pai com muita força culpabilizando-se de não ter ficado lá com ela em vez de ter ido com Mandy . O pai olhou nos seus olhos e limpou as lágrimas que caíam continuamente . Olharam os dois para a janela e viram-na a dirigir-se a ela sorrindo .
 - Eu estou bem, não se preocupem comigo . Sejam felizes, prometam .
Sally dirigiu-se a Randy e abraçou-o . Os três sorriram para a mãe acenando para ela enquanto limpavam as lágrimas . A mãe dele saíu pela janela e desapareceu . Eles sentiram imensas saudades dela mas decidiram tapar o seu corpo com uma toalha . Sentiram-se bem, sabiam que a sua alma estava em paz e que ela estava feliz . Sally nesse dia dormiu no quarto de hóspedes, não se sentia em condições para dirigir-se para sua casa . Enquanto dormia, Randy sem fazer barulho foi tapá-la e segredou-lhe ao ouvido que a amava dirigindo-se outra vez para o seu quarto . Ele dormiu profundamente, com sua mãe no pensamento num campo de flores cantando as lindas músicas de embalar que lhe cantava em pequeno .

Fim do quarto capítulo (: